A semana passada recebi os alunos
de volta das férias.
Como é habitual, ficamos conversando um
bom tempo sobre o que fizemos nas férias...
Esperei que todos contassem (aproveitando
pra lembrar da importância de saber ouvir) ...enfim, atividade normal...
Normal, não fosse a imagem da garota Marina
me olhando fixamente, com uma expressão silenciosa como se desejasse que eu
perguntasse apenas a ela...
Entendi isso e perguntei onde ela havia
passado as férias e com quem...
Ela se levantou do lugar, se dirigiu a
mim, encostou sua cabecinha em meu peito e começou a chorar...
Depois falou:
-Passei uns dias em Jales, com todos os
familiares.
Sem entender, comentei:
-Puxa! Mas isso é motivo de alegria...
E por que você está chorando, Marina?
E ela:
-Professora, nós tivemos que nos reunir
em Jales, porque tivemos que enterrar minha mãe lá. Ela morreu na semana
passada (com 34 anos de idade)...
Bem, vocês podem imaginar o que senti
na hora, não é mesmo?
Eu a abracei e apenas disse que entendia
o que ela sentia...
Depois falei pra que ela fosse tomar água
e, enquanto isso, conversei rapidinho com os alunos, pedindo a eles que nada
perguntassem, mas que em casa orassem pra que a amiguinha se recuperasse rápido
dessa dor.
Passei um dia sem rumo...
Tudo estava difícil...Confesso que fiquei
meio desnorteada, não sabia direito como conduzir a aula.
Resolvi brincar de "Pandora" com eles,
apesar de minha "sem-graceza"...
Durante essa brincadeira , as crianças
pegam numa caixa (sem olhar, claro) alguma palavra (palavras que eles haviam
escrito em dias anteriores) e têm que falar o que quiserem sobre ela.
Apavorada vejo na mãozinha do Arthur a
palavra
MORTE... Gelei!
Pensei: "puxa! justo hoje?"...
Daí, vejo um sorriso nos lábios dele,
olhando para a Marina...
Foi quando ouvi: -Para mim, morte não
é acabar tudo. Minha mãe ensinou que morte não existe...Quando
gente grande morre primeiro, é porque Deus dá um jeito de mandar
pessoas que a gente ama pro céu na nossa frente pra quando a gente for, não
se sentir sozinho.
Lágrimas escorreram do meus olhos.
Nesse dia eu entendi a mensagem de Paulo
Freire quando afirmou que