Lembranças
da minha infância (2) |
Mamãe gostava de nos contar as peripécias da nossa
infância simples do sítio e algumas ficaram gravadas
mais fortes em minhas lembranças.
Raramente saíamos de casa, mas um dia papai nos levou ao
circo.
Nosso encantamento foi além de um deslumbramento “normal”
de crianças. Queríamos ser os artistas do circo!
Demos muito trabalho por conta disso.
Eu jurava que as bolinhas de rolemã que havia engolido,
sairiam na minha mão, com algumas palavras mágicas...nem
é preciso dizer como elas saíram...Bom, mas, a cena
que estou lembrando agora é dos meus irmãos ex-candidatos
a trapezistas.
Cenário:
Mamãe lavando roupa num batedouro de madeira no quintal
e ao lado, uma mamoneira.
Cena circense:
Meu irmão subia na mamoneira, se pendurava de cabeça
pra baixo no galho e minha irmã aplaudia. Ele descia, ela
subia, fazia o mesmo e depois de aplaudida, descia feliz da vida.
Minha mãe só observando...
Quem conhece mamoneira sabe que os galhos não têm
muita resistência e após algumas apresentações,
já estava começando a quebrar. Meu irmão
nem se importou e subiu, pendurou-se de cabeça pra baixo
e o galho começou a abaixar, fazendo aquele nhéééééééééécccc
sem fim.
O panaca do meu irmão gritava pra minha malvada irmã:
-BATE PALMA QUE EU TÔ CAIIIIIIIIIIIIIINDOOOOOOOOOOO!!!!!!!
Ela nem aí, só olhando e rindo.
Minha mãe incrédula olhava a cena...
Meu irmão esgüelava, mas não descia sem as
palmas...
Quando minha mãe viu que ele não desceria mesmo,
deu ordens (segurando o riso) pra minha irmã bater palmas,
senão o “pongoió” arrebentava a cabeça,
mas não descia!
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