Meu irmão é
tão bom violeiro, quanto é lerdo!
Ele é meu maior
amigo e eu o adoro, mas essa dele eu vou contar.
Há alguns anos atrás,
após o expediente da Caixa Econômica Federal, onde trabalhava
(Campinas), ele parou num boteco pra tomar cervejinha com os amigos.
Nesse dia, ele não estacionou
o seu carro no lugar de costume e, por uma coincidência incrível,
uma outra pessoa estacionou um carro muito parecido com o dele nesse lugar.
Lá pelas tantas, já “meio
alto”, ele foi pegar o carro pra ir embora e foi onde era acostumado.
Tentou de todas as formas
abrir a porta do carro (que não era o dele) e nada!
Saiu dali e foi procurar
um chaveiro por perto (desses 24hs).
Veio com o profissional
e, assim que a porta foi aberta, disparou um alarme que meu irmão
estranhou muito, pois ele nem sabia que aquele carro “tinha”
isso.
Pra desligar o
alarme, a parte interna da porta foi mexida (arrancado o “tampão”),
mas havia outro problema: meu irmão viu que não era o dia
dele mesmo, pois a chave não dava certo também no contato.
Sem muito “ânimo”
pra entender, pediu que o chaveiro fizesse ligação direta,
deu a ele os seus dados e pegou um cartão para, no dia seguinte
levar o carro lá pra arrumar direito e foi embora pra Paulínia,
onde morava com os filhos.
Ainda passou numa
pizzaria e comprou uma pizza pra eles.
Ao chegar em casa,
chamou o Franco, um dos filhos, pra pegar a pizza no carro.
Quando o Franco
viu o carro, comentou: -Deu um trato no carro, hein, pai?
Meu irmão
não entendeu, mas deixou pra lá. E ele: -Colocou som
no carro, pai?
- Ei! E essa
cadeirinha de criança aqui atrás? -Pai, esse
carro não é seu!!!
Só nessa
hora caiu a ficha! Procuraram no porta luvas e acharam um nº de celular.
Ligaram e um mal-humorado-cheio-de-razão atendeu e meu
irmão só avisou que tinha sido um engano e que ele já
estava indo pra lá. Foram.
No caminho, o Franco,
inconformado, tentou reclamar e ouviu do João Carlos que "isso
pode acontecer com qualquer um..."- e ele inconformado, só
respondeu: - ô!...
Ao chegarem ao boteco,
antes que o dono do carro esfolasse o meu irmão, já foi
explicando e mostrando o carro do pai ali nas proximidades.
Nesse instante chegou uma viatura com
quatro policiais carrancudos pra atender a ocorrência que o dono
do carro já havia feito.
Um
deles perguntou:
-Mas como você fez pra conseguir
pegar um carro trocado?
E meu irmão, na maior
simplicidade:
-Eu chamei um chaveiro...
Os policiais cairam na risada. Ficou
tudo por isso mesmo...ah! e mais noventa reais do chaveiro que o lerdão
teve que pagar!

Sobre meu irmão
João Carlos é um ano e meio mais velho que eu. Ele aprendeu
a tocar violão sozinho, assim também com a gaita (ele tem
um suporte e toca, acompanhando-se pelo violão).
Quando divorciou, assumiu sozinho os filhos pequenos por muito tempo.
Depois casou-se novamente, teve outro filho, mas o casamento não
deu certo também. Os filhos o adoram, inclusive os dois da segunda
esposa. Hoje ele mora sozinho pois os filhos já estão encaminhados
na vida.
Foi avaliador de jóias da Cx. Ec. Federal durante mais de 30 anos.
Aposentou em dezembro/07 e realizou o grande sonho da vida dele: comprou
um sitinho e já mora nele.
É lindo lá, como ele sempre sonhou!
Embora pareça meio matuto de tão simples que é, João
Carlos tem muita cultura pois lê muito. É a pessoa que mais
entende de todos os tipos de música, que eu conheço.
Somos amigos demais e nossa sintonia faz muita gente ficar admirada. Muitas
vezes olhamos um pro outro e caimos na risada sem precisar dizer nada,
ou então, nos assuntos sérios, bastam poucas palavras pra
nos apoiarmos com cumplicidade e amor.
Quando meu pai morreu, acho que deixou sem precisar dizer, a "caçulinha
aqui" pra meu irmão cuidar e ele faz isso com companheirismo,
parceria e muita dedicação
Edna Feitosa |