Quando
o meu pai faleceu, tivemos que mudar do sítio. O que doeu
mais em mim, foi não ter mais as plantações,
não ter mais as flores e nem as árvores onde eu
brincava de casinha
(em cima, nos galhos, como já contei um dia).
Daí, com uns 9 anos de idade, eu resolvi fazer um canteiro
de margaridas.
Consegui as mudas, mandei a enxada num chão duro e árido
e, com direito a muitas bolhas, fiz meu canteiro. A partir de
então, não conseguia fazer outra coisa, pensar outra
coisa. Eu tinha idéia fixa nas mudas ressequidas de margaridas
e na minha esperança verde pálida.
No entanto, elas não davam nenhum sinal de gratidão.
Nem tchum pra minha dedicação.
Mas, como desilusão de criança dura pouco, logo
me interessei por outras coisas,
abandonando por completo a falido canteiro. E eis que um dia descubro
algumas
margaridinhas tímidas encarando meu rosto como a me dizerem:
- Viu? Tudo tem seu tempo. Agora, vamos! cuida de nós!
Nem preciso dizer que aprendi a cuidar e, sem ansiedade, tive
um canteiro lindo de margaridas, enquanto moramos naquela casa,
em Votuporanga.
Virei gente grande e a lição ainda está muito
viva em minhas lembranças, mas devo admitir que, embora
as minhas margaridas floresçam sempre, continuo tendo que
exercitar o "cuidar sem sufocar"