Ontem, enquanto eu esperava minha filha comprando roupas de dança e conhecendo a canseira que ela dá a qualquer acompanhante e não estando (apenas ontem...rs) com paciência, preferi ficar sentada numa mureta que tem na calçada, quase em frente à loja.
                  Comecei a rabiscar uma cadernetinha (eterna mania), quando se aproximou uma dessas mulheres que vendem cartões de estacionamento da Zona Azul.
                   Chegou e disse assim: -Vc tomou meu lugar.
                   Brinquei com ela: -Mas não cabe as duas? (fazendo sinal pra ela se sentar ao meu lado).
                   Ela riu e sentou. Começamos a conversar banalidades e eu não pude deixar de observar os seus pés muito inchados e lhe disse:
                -Vc está frente a um pé de remédios pra esse inchaço - Mostrando-lhe um abacateiro (Minha amiga Yara Nazaré havia me ensinado a fazer chá das folhas de abacateiro pra combater esse inchaço).
                Espirituosa que só ela, me disse: -Se eu perguntar quantas folhas coloco pra ferver, a consulta fica mais cara?
                   Rimos gostoso e a prtir daí começamos a conversar gostoso, solto... Daí eu a convidei pra tomar um café numa lanchonete próxima de nós. Avisei minha filha e fomos. Na esquina encontramos uma colega dela que já tinha terminado o turno e eu a convidei também.
                    Pedimos umas rosquinhas, um cafezinho e sentamos pra conversar.
Não tenho noção de quanto tempo ficamos ali, mas tenho certeza de que fazia muito tempo que eu não ria tão gostoso, não abraçava tão gostoso numa despedida cheia de promessas de tomarmos novamente esse cafezinho, mas na minha casa.
                   ...Não sei se isso vai acontecer realmente, mas sei que pra sempre lembrarei da Queiroz e da Laura, as mulheres da Zona azul e agora do meu coração.





Causos




 




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