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Escola onde me aposentei tem uma paineira imensa e linda.
Todos os anos, eu e meus alunos sentávamos na escadaria
de entrada e no chão para observarmos e desenharmos suas
quatro etapas bem definidas: fechada por folhas de um verde muito
escuro, toda florida em tons de rosa, “pelada” de
folhas e flores, mas cheias de frutos verdes e toda branca de
painas.
Eu tinha (na verdade ainda tenho) um fascínio tão
grande por essa paineira que, num ato de saudosismo e ternura,
cometi uma irresponsabilidade: peguei uma semente da paineira
e plantei num vaso. Rapidamente ela se mostrou à vida,
numa sutil alegria/crescimento que me deixou sem ação.
Agora tenho uma paineira num vaso e não sei o que fazer
com ela pois não quero plantá-la em qualquer lugar,
onde possa morrer se não for cuidada e , no meu jardinzinho
só tem espaço pra tomatinhos e rosas...
Sinto remorso ao vê-la no vaso espremida...
Nem sei o que Deus pensa sobre isso, mas Ele sabe que até
tentei doá-la muitas vezes...mas quem, de verdade, quer
uma paineira?
...Bem que Deus poderia me dar uma saída já que
deu vida tão rápida a uma saudade...
Edna Feitosa
30 de outubro de 2004/ São José do Rio Preto
Obs:
Este texto foi escrito e enviado aos amigos. Em seguida recebi
várias sugestões, por exempo:1) eu deveria fazer
um bonsai, 2)uma Praça de Itapeva iria recebê-la,
mas meu irmão a quis para seu sitinho que ainda não
foi comprado, mas será loguinho. Hoje ela continua no vaso,
linda demais e eu fico feliz por não ter errado, como havia
pensado e por ver que sentimentos de respeito à natureza
ainda existem muitos semeados e florescendo em corações
especiais, como de muitos amigos meus que se manifestaram quando
lhes contei dessa minha preocupação.
Fevereiro
de 2007: A paineira foi plantada no sítio do meu irmão,
finalmente!Ela está com quase dois metros, logo na entrada,
ao lado da porteira.
Estou feliz e aliviada!
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