Sempre lidei bem com a solidão. Na verdade nunca me senti sozinha e, se ficava às vezes, era por livre escolha, então acostumei a dizer que a solidão de vez em quando faz bem.
De repente estando sozinha diante de uma iprevisível e inevitável situação, senti pela primeira vez na vida, uma solidão com seus efeitos colaterais.
Aquela solidão que faz a gente esperar um telefonema ainda que seja um engano, que faz a gente abrir a geladeira muitas vezes ou iniciar e parar várias atividades, sem concluir nenhuma...E aí a solidão já não me pareceu tão branca como sempre a pintei. Vi que às vezes ela tem tons acinzentados e tristes. Não gostei dela, da cor, do cheiro, do som ou da falta dele nessa experiência de estar só.
Só então percebi que teria alguns caminhos: Deitar e me entregar a uma depressão que quis se avizinhar, procurar reviver uma história que não existe mais e nem tem mais importância ou reavaliar e reestruturar os meus dias reinventando, redescobrindo , readaptando e colorindo, compondo assim minha mais recente arte: a arte de viver e da melhor forma possível.
...E, como não existem acasos, hoje revi Love affair e passei o tempo todo ruminando uma frase do filme que finaliza minha prosa:
“O truque da vida não é conseguir tudo o que se quer e sim continuar querendo tudo o que se obtém”.
Preciso dizer o quanto quero, o quanto amo a minha vida e todos os “seus afluentes”?
Edna Feitosa

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