Nunca achei graça em brincar de casinha do jeito que as outras meninas da minha idade brincavam.
    Como sempre morei em sítio ou casa com quintal, acostumei a brincar de casinha em cima de árvores. Cada galho era um cômodo. Uma mangueira enoooorme que tínhamos em Tanabi era uma mansão. Tinha até banheiro...(?!).
    Certa vez eu, minha irmã e uma amiguinha fomos brincar numa árvore que ficava num pasto.
    No auge da brincadeira, apareceu lá uma vaca, com a maior calma do mundo, pra descansar na sombra da árvore.
    Subimos rapidamente para o "andar" de cima do nosso sobrado-árvore. À princípio foi até divertido, mas o tempo passou e a graça foi cedendo lugar ao medo. E a bendita vaca, num sono profundo! Com certeza ruminava a pastagem da manhã ...
    Começamos a quebrar galhinhos e jogar nela, que sacudia a cabeça ou o rabo como para espantar mosquitos, mas nem abria os olhos...
    Gritamos, xingamos, choramos...e nada da penetra se sensibilizar...
    Já estava ficando tarde e o medo se juntou com a preocupação e, sem outra alternativa, começamos a atirar nela as nossas coisas .
    Lá se foram as mantinhas, bonecas, travesseirinhos, panelinhas...e nada! E dá-lhe choro...
    Quase escurecendo a "Dona Sossego" resolveu sair rebolando
v a g a r o s a m e n t e e foi cuidar da vida ...
    Deslizamos tronco abaixo (um olho na vaca e outro nas coisas que esparramamos no chão) pegamos tudo e rumamos pra casa na maior carreira, pra ainda passar um carão "daqueles" pelo tempo que demoramos "brincando"...





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