![]() Sou assim... Sou aquela trave Que lacra a porta E impede a ida Sou a espinha sutil Na garganta desavisada Sou o caminho escolhido A passagem mais larga A senda estreita A lágrima avulsa O sorriso fácil A palavra de afeto O choro indevido O carinho indiscreto O gemido na noite O silêncio letal Sou a justificativa vã A entrega sã A lamparina acesa O clarão na mata A dor reprimida O tango sonhado Sou mulher direita Em tortas feminilidades Sou anjo exilado Águia de asa quebrada Viola sem tocador Violeira sem cordas Sou seresta na madrugada Bolo de milho e queijo fresco Pão na folha de bananeira Pés descalços no chão Sou chuva na esquina Batom de menina Ramo de margaridas Cheiro de alecrim Sou a pergunta Que não carece resposta E a resposta definitiva De minhas íntimas perguntas! Edna Feitosa ---------------------------------- ---------------------------------- |