INTERIORES

 

INTERIORES

No portão a mulher espera
Ao longe o cachorro late
No fogão o cheiro quente de comida
Nas gavetas as roupas arrumadas
No coração tudo espalhado.

As luzes dos postes clareiam o portão
O velho morador acende o cigarro
A mulher retoca o batom ansiosa
O jantar esfria na mesa
Dever cumprido
Vazio o coração.

O footing na praça
A escolha, a escolhida
O sorvete de groselha
O homem, o bar, os amigos
A mulher no portão, esquecida
Dolorido coração.

O lenço nos olhos, na boca
O batom arrancado na marra no murro
O sonho consumido
A vida resumida em nada
Realista coração.

O velho pijama
Substitui o vestido vermelho
A cama perfumada...
Vazio ninho de amor.

O andar a esmo...
Os pensamentos massacram.
A garganta travada
À frieza no olhar
O bar, o riso, o homem.

Cidadezinha do interior...
Interior vazio da mulher.

Portão distante
O latido sumido
Nenhum olhar de adeus
Nenhuma hesitação
Nos rápidos passos
Estalados dos chinelos.

Lá atrás a praça, o footing
A comida fria na mesa
O latido preguiçoso do cachorro
A bituca do cigarro esquecida no chão.

O bar, o riso, o choro...
Lá adiante a incerteza
Mas dentro da mulher, a decisão:
Voltar...jamais!

Edna Feitosa

Escritos








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