Edna Feitosa


E, de repente você se encontra só.
Perde-se na noite que silencia vozes
Esbanja-se em sombras caladas.
Quer chorar e não sabe como
E, num espaço de século de segundo
Você enxerga uma vida vazia
Pra trás o que ficou?
Cinzas...
Olha pra frente
E tudo é nada
Abre as mãos
E nada é tudo.
Quer sonhar, amar, afagar
Mas, escapa-lhe um riso irônico
Quer acreditar
Mas tudo se desfez
Ao mais leve toque ou menção
Quer dormir
Mas o sono escapa
Pelas frestas da janela
Quer fingir
Mas sua mente cruel
Continua lúcida
Quer ler
Mas as linhas dançam
Riem pelos espaços
Quer cantar
Mas a garganta emudece
E os lábios cerram-se teimosos
Quer sofrer uma dor profunda
Mas já não existem reflexos
Quer abandonar-se indiferente
Mas o tremor da mão
Revela inquietação
Quer acalmar-se
Mas, no peito,
Um coração enlouqueceu
Quer traduzir-se
Mas sua mente
Só dita frases mortas.
Está só...

Só.


 








 

Escritos










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