Aula 4 - O HAICAI E O SEN-RYU

O sen-ryu, embora também tenha três versos e siga a regra do 5-7-5, despreza as outras convenções e destina-se à sátira,
à gozação crítica. Vamos dar alguns exemplos e aproveitar para praticar um pouco de métrica:

Um prédio redondo...
(Um-pre-dio-re-don-do = 5 sílabas, desprezada a última por ser átona, fraca).
É Congresso ou pizzaria?
(É-con-gres-soou-piz-za-ria = 7 sílabas, por se juntarem as vogais átonas)
Eh, povo confuso! (Eh-po-vo-con-fu-so =
5 sílabas, pelo mesmo motivo do primeiro verso).



Ingênuo o tal homem! (In-gê-nuoo-tal-ho-mem =
5 sílabas, pelas vogais que se agregam e pela última sílaba desprezada)
Nem percebe que carrega (Nem-per-ce-be-que-car-re-ga =
7 sílabas, desprezada a última, que é átona)
Dinheiro do povo. (Di-nhei-ro-do-po-vo =
5 sílabas, pelo mesmo motivo do verso anterior)



Garrafa escondida. (Gar-ra-faes-con-di-da = 5 sílabas)
Até baba o nobre homem (A-té-ba-bao-no-bre-ho-mem = 7 sílabas)
E diz que está sóbrio. (E-diz-quees-tá-só-brio = 5 sílabas)


Velhaco, macaco (Ve-lha-co-ma-ca-co = 5 sílabas)
Não escuta, não diz nada (Não-es-cu-ta-não-diz-na-da = 7 sílabas.)
E finge não ver. E-fin-ge-não-ver = 5 sílabas.

O sen-ryu, como se pode ver, não dá lugar para o sublime. E tampouco respeita as regras do haicai, a não ser quanto à métrica. No Japão, é muito utilizado para críticas debochadas.

 

 



 

 



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