O
sen-ryu, embora também
tenha três versos
e siga a regra do 5-7-5,
despreza as outras convenções
e destina-se à
sátira,
à gozação
crítica. Vamos
dar alguns exemplos e
aproveitar para praticar
um pouco de métrica:
Um prédio redondo...
(Um-pre-dio-re-don-do
= 5 sílabas, desprezada
a última por ser
átona, fraca).
É Congresso ou
pizzaria?
(É-con-gres-soou-piz-za-ria
= 7 sílabas, por
se juntarem as vogais
átonas)
Eh, povo confuso! (Eh-po-vo-con-fu-so
= 5 sílabas,
pelo mesmo motivo do primeiro
verso).
Ingênuo o tal homem!
(In-gê-nuoo-tal-ho-mem
= 5 sílabas,
pelas vogais que se agregam
e pela última sílaba
desprezada)
Nem percebe que carrega
(Nem-per-ce-be-que-car-re-ga
= 7 sílabas,
desprezada a última,
que é átona)
Dinheiro do povo. (Di-nhei-ro-do-po-vo
= 5 sílabas,
pelo mesmo motivo do verso
anterior)
Garrafa escondida. (Gar-ra-faes-con-di-da
= 5 sílabas)
Até baba o nobre
homem (A-té-ba-bao-no-bre-ho-mem
= 7 sílabas)
E diz que está
sóbrio. (E-diz-quees-tá-só-brio
= 5 sílabas)
Velhaco, macaco (Ve-lha-co-ma-ca-co
= 5 sílabas)
Não escuta, não
diz nada (Não-es-cu-ta-não-diz-na-da
= 7 sílabas.)
E finge não ver.
E-fin-ge-não-ver
= 5 sílabas.
O sen-ryu, como se pode
ver, não dá
lugar para o sublime.
E tampouco respeita
as regras do haicai,
a não ser quanto
à métrica.
No Japão, é
muito utilizado para
críticas debochadas.
|