AULA
5 - O HAICAI COMO
FLASH
DE UMA CENA |
O
haicai tem semelhança com certo
tipo de pintura chinesa, feita apenas
de algumas pinceladas, pois é isto
que ele propõe: descrever um quadro
com poucas palavras. Por isto ele está
sempre no tempo presente, como se o autor
estivesse mostrando
uma foto, a cena congelada de um filme
ou coisa assim. Ele é um flash
do cotidiano ou, na expressão feliz
de nossa amiga
Rosane Villela, a captação
de um instante de "súbita
graça".
1.
O sol escandeia
Um gato busca refúgio
Na sombra do cão.
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2.
As renas galopam
sobre nuvens de algodão
Aqui, solidão!
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3.
Lá vem o vendaval
Esqueceu, o desvairado,
que hoje é carnaval.
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Notem, também, que o haicai
não procura definir nada. Coisas
do tipo "o amor é isto,
a primavera é assim ou assado",
podem cair bem numa trova, não
têm nada a ver com o haicai.
Se há uma definição,
ela está implícita.
E observem que ele apenas insinua,
apenas sugere um sentimento, nele
não cabendo expressões
como eu te amo, quero morrer, minha
esperança foi pro brejo, nada
disso.
No haicai 1 vocês podem imaginar
uma situação de crise,
pois cachorro e gato são tradicionalmente
(apenas tradicionalmente) inimigos.
No número 2, um Natal solitário.
No 3, uma sensação de
contrariedade.
Resumindo: O haicai é um flash
do cotidiano, apresenta-se no tempo
presente e não admite definições
nem tampouco confissões abertas
de um sentimento.
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