Se esses versos ...



A história da minha rua
Tem versos em cima do muro
E rimas nos vãos das calçadas

Os postes são cúmplices
De candidatos a boemia
Dos restos de madrugada

A vassoura limpa
As estrofes enrustidas
Da poesia que ninguém fez
Nem eu...

Edna Feitosa



Minha rua

(Cris Cervo)


A minha rua...
Ainda trago na memória,
Ela foi palco de parte
Da minha infância ,
Conta pedaços e fases
Da minha história,
Guarda imagens dos
Meus sonhos de criança...

Me volta à mente
O chão de terra batida,
Ainda com marcas
Do jogo de amarelinha
Hoje a saudade
Se faz muito mais presente,
Hoje essa dor
Se faz muito mais sentida
Desta rua que será pra sempre minha...

As noites tinham a beleza do luar,
Que iluminava a nossa fantasia,
A algazarra das crianças a brincar
Se transformava em suave melodia...

Hoje existe apenas recordação,
E a saudade a bater na minha porta,
As paralelas calçadas,
Duas retas dentro do meu coração,
Que hoje já pavimentadas
Deixaram de ser palco de emoção...

Cris Cervo




Na Rua



tem noite
e luz
tem cheiro e cor
tem riso
e drama
sorriso e lágrima
lixo e luxo
tem dia
e brilho
poeira e pó
tem arranjos
e acertos
erros e concertos.

tem
pra quem pode
pra quem banca
tem
quem bote banca

ah!
também
tem quem dorme
por só tê-la como lar.

Luis Santana



Visitem o Fotolog do autor:

http://fotolog.terra.com.br/lulassant




Sem nexo...

Meu soneto se esconde
em quatorzes versos
sem nexo...
Leio, não entendo,
eles são inversos...
Existem versos
convexos.
São femininos...
Tem os sem sexo
que seguem sem rumo
caem nas bocas de lobo.
A vassora da madrugada
varre impiedosa
os meus sonhos...

Tarcísio R. Costa
17.11.04
10:00h exatas



Versos de Minha Rua!

Bernardino Matos.

A história de minha rua,
tem meu nome escrito nela,
sonhei em noite de lua,
jamais me esquecer dela.

Eu guardo na minha mente,
o tipo de cada casa,
o rosto de minha gente,
o sol quente feito brasa.

Ali, vivi minha infância,
Rua 15 de novembro,
mil metros era a distancia,
da escola, inda me lembro.

Foi lá no Grupo Escolar,
que eu aprendi a ler,
comecei a soletrar,
o beabá do sofrer.

Levei muita da reguada,
esse era o argumento,
da professora, coitada
o seu disciplinamento.

Minha merenda escolar,
um naco de rapadura,
quando tinha o que levar,
mas não havia amargura.

Era costume à tardinha,
colocarem nas calçadas,
cadeiras e cada vizinha,
narrava as águas passadas.

Ainda guardo comigo,
como uma fotografia,
o tipo de cada abrigo,
a dor de cada agonia.

Ali, na Rua do Fogo,
um beco em frente de casa,
todo dia tinha jogo,
a tristeza era rasa.

Enquanto vida eu tiver,
levarei essa saudade,
não foi um tempo qualquer,
foi minha realidade.

Fortaleza, 18/11/06



A Rua da Minha Infância

A rua da minha infância
Tem histórias pra contar
E mesmo nessa distância
Em que eu me encontro agora
Num instante vou-me embora
E quando vejo estou lá.

E estou sempre correndo
Atrás da pipa e da bola
Assim como o pensamento
Agora que penso nela
E me vejo na janela
Que no castigo consola.

Rua cheia de poemas
Que hoje a lembrança me traz
Onde distâncias pequenas
E tão curtos horizontes
Não impediam que aos montes
Colhêssemos os cajás.

Foi ali que eu comecei
A me tornar um poeta
Ao perceber que de rei
Só tinha mesmo o castelo
Que construía tão belo
No fundo de uma gaveta.

Percebi, e com que dor,
Que o mundo era muito grande
E eu não podia supor
Naquele tempo, hoje penso,
Que continuaria imenso
Por mais que eu nele ande.

E hoje, após tanta lida,
Tudo, vejo, continua
Como era, então, minha vida...
Colho cajás nos mercados,
Meus versos estão guardados,
Não sou rei da minha rua!

Luiz Oli

18-12-2008

 

 

 



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