1. O alfabeto passa a ter 26
letras. Foram reintroduzidas as letras k, w e y.
O alfabeto completo passa a ser:
A
B C D E F G H I JK L M N O P Q R ST U V W X Y Z
Regra útil para quem chegou a tirar essas letras do alfabeto.
E deve ter tido um trabalhão
para consultar a lista telefônica, onde elas nunca deixaram
de constar.
Uma croniqueta:
AS TRÊS
FORASTEIRAS
Ana Suzuki
Numa data qualquer, tiraram o K,
o W e o Y do nosso alfabeto. As três letras foram
tratadas como forasteiras. Só que continuaram sendo
usadas nas listas telefônicas e nas abreviaturas
de medidas - Km para quilômetro, Kg para quilograma,
W para watt. E também nos nomes estrangeiros.
Para os puristas de cartório, Suzuki seria Suzuqui.
O japonês Kawamura teria nome de índio -
Cauamura. Felizmente a maioria percebeu que isto seria
uma descaracterização. Houve uma certa fidelidade,
consciente ou não, ao primeiro sistema criado para
adaptar os sons da língua nipônica aos da
língua inglesa - o sistema Hepburn, criado pelo
reverendo James Curtis Hepburn, por volta de 1867.
Então vieram os filmes e novelas. Crianças
que antes se chamariam José, Joaquim, Maria, passaram
a ter nomes mais "chiques" e diferenciadores.
Pra que chamar o filho de Guilherme, podendo chamá-lo
de William? Pra que Rosa Maria se podia ser Rosemary?
E finalmente veio o computador, impondo não só
as três letras, como um novo vocabulário.
Bem-vindas, enfim, sejam as três forasteiras, já
que nunca saíram daqui. Mas tenho pena das crianças
que já decoraram o alfabeto sem elas, porque estudos
neurológicos demonstram que certas
seqüências gravamos em série, sendo
depois um tanto difícil inserir alterações
na série
gravada.
Isto explica por que razão nós, os mais
velhos, jamais conseguimos abolir totalmente aquelas
três letras do alfabeto e por que, mesmo que mentalmente,
as mantivemos nos lugares que lhes perteciam, tal como
na lista telefônica.