Um dia
encontrei dois caminhos Escolhi aquele que todos evitavam e as placas
proibiam Os conselhos censuravam Os falsos sábios maldiziam Pois era
esta que eu preferia Lá encontrei o que eu queria Pois numa curva desta
estrada a beleza se descortina esta era minha sina E só eu vi a beleza
escondida Na estrada contra todos escolhida Eu havia acertado Por ser
errado sempre errado
Fui escolher um livro para ler e, ao invés
daquele que os críticos vaticinavam e as pequisas apontadam como
campeão de bilheteria Escolhi outro, Que as beatas execravam Os
especialistas detonavam escolhi o que eu queria Apesar da capa sem
graça E das páginas mal costuradas ali não havia trapaça as palavras
não censuradas Era a verdade que ali eu lia Eu havia acertado Por ser
errado sempre errado
Outro dia entre tantas te encontrei O brilho
que vi a origem não sei desatino, é o que diziam Todos tabus me
proibiam Entra noutra e cai fora! É muito melhor ir embora O infortúnio
me prediziam Mas em ti, só em ti encontrei todos tesouros e enfim colhi
os louros da mais eterna sabedoria As verdades que me disseram eram
todas mentiras As certezas que me empurravam eram todas dúvidas e,
contra os elementos me virei E, contra todos me rebelei Mais uma vez
acertado por ser errado sempre errado deixando a todos
indignados sem lamentos à sepultura Estive certo em estar errado Ter te
amado alucinado Esta é a minha verdadeira ventura.