Um dia encontrei dois caminhos
Escolhi aquele que todos evitavam
e as placas proibiam
Os conselhos censuravam
Os falsos sábios maldiziam
Pois era esta que eu preferia
Lá encontrei o que eu queria
Pois numa curva desta estrada
a beleza se descortina
esta era minha sina
E só eu vi a beleza escondida
Na estrada contra todos escolhida
Eu havia acertado
Por ser errado
sempre errado

Fui escolher um livro para ler
e, ao invés daquele
que os críticos vaticinavam
e as pequisas apontadam
como campeão de bilheteria
Escolhi outro,
Que as beatas execravam
Os especialistas detonavam
escolhi o que eu queria
Apesar da capa sem graça
E das páginas mal costuradas
ali não havia trapaça
as palavras não censuradas
Era a verdade que ali eu lia
Eu havia acertado
Por ser errado
sempre errado

Outro dia entre tantas te encontrei
O brilho que vi a origem não sei
desatino, é o que diziam
Todos tabus me proibiam
Entra noutra e cai fora!
É muito melhor ir embora
O infortúnio me prediziam
Mas em ti, só em ti
encontrei todos tesouros
e enfim colhi os louros
da mais eterna sabedoria
As verdades que me disseram
eram todas mentiras
As certezas que me empurravam
eram todas dúvidas
e, contra os elementos me virei
E, contra todos me rebelei
Mais uma vez acertado
por ser errado
sempre errado
deixando a todos indignados
sem lamentos à sepultura
Estive certo em estar errado
Ter te amado alucinado
Esta é a minha verdadeira ventura.

Benno Assmann
 
 
 Midi: Canteiros- Fagner


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