Nada Se Pode Comparar Contigo


Bocage


O ledo passarinho que gorjeia
Da alma exprimindo a cândida ternura
O rio transparente, que murmura,
E por entre pedrinhas serpenteia:

O sol, que o céu diáfano passeia;
A lua, que lhe deve a formosura,
O sorriso da aurora alegre e pura.
A rosa, que entre os zéfiros ondeia;

A serena, amorosa primavera,
O doce autor das glórias que consigo,
A deusa das paixões, e de Citera:

Quanto digo, meu bem, quanto não digo,
Tudo em tua presença degenera,
Nada se pode comparar contigo.








Manuel Maria Barbosa Du Bocage, 1765 - 1805
Sonetos/Bocage; apresentação, seleção e notas
de Fernando Mendes de Almeida - RJ:
Ediouro, São Paulo: Publifolha, 1997.
(Biblioteca Folha)



Imagem Copyrigth by Jonathon Earl Bowser





Editada em:
21.09.2002

Voltar






.