TELA DA ALMA


Me sinto envelhecida, cansada, um pouco perdida.
Preciso de um espelho...urgente!
Quero ver o que restou de mim.
Quero ver onde foi parar minha juventude, minha beleza, meu brilho.
Caminho em direção a um espelho qualquer, num lugar qualquer.
Encontrei !
Pequeno, meio opaco. Talvez pela pouca luz do ambiente.
Me olho, e a visão que tenho é a de uma enorme tela em branco.
Estranho!
Esfrego cuidadosa e temerosamente meus olhos e os abro novamente, devagar.
Estarei sonhando, tendo alguma visão, ou já enxergo pouco também?
A mesma tela reaparece, porém, com alguns traços, cores.
Procuro me tranqüilizar. Fixo cada vez mais o olhar.
Vejo então,a figura de uma mulher cujo rosto parecendo jovem e belo, encoberto por um pedaço qualquer de tecido, deixa à mostra apenas seus olhos, e que lindos olhos!
Pode ser uma cigana, uma muçulmana,uma odalisca.Sei lá!
Mas a maneira como me olha,parece querer dizer-me algo.
Continuando a observar,sinto um estranho arrepio.
Esses olhos, esses olhos... são os meus olhos!
A mesma cor, mel.
O mesmo brilho.
A mesma expressão.
O tempo passou sim, claro!
Mas, meu brilho interno não se apagou, nem vai apagar.Não vou permitir.
Arrumando os cabelos desajeitados, deixo o espelho.
Sorrio feliz!
E olhando o céu azul dessa manhã de verão, repito para eu mesma:
- Me reencontrei, renasci.
- Sou eu, na tela da alma...da minha alma!

Cíça
mamispant@uol.com.br

fundo: Lili Russo


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