UMA LENDA PARA VOAR A DOIS
Outro
dia uma bonita lenda eu li
Aos índios americanos atribuída
Que ao ler de emoção estremeci
E a lição nunca mais foi esquecida!
Dizia
a história a que me refiro
Que dois jovens apaixonados
Foram pedir ao velho feiticeiro
Para ficarem um no outro acorrentados!
Amavam-se
e era tão grande o amor!
Que queriam estar amarrados para sempre.
Pediam então um feitiço transformador
Que os imunizasse do desamor!
O
chefe vendo os decididos amantes
Resolveu enfim que os iria ajudar.
Mandou-os para duas montanhas diferentes
Teriam que duas águias ariscas, capturar.
Mas
tinha um detalhe importante
Nenhuma ave morta poderia estar
Tinham que estar vivas no instante
De o forte encantamento preparar!
Jovens,
fortes e sem medo pra lutar!
Saíram bem dispostos em disparada
Cada um correndo o seu pássaro buscar!
Seguiram cada um por uma Íngreme estrada.
Como
nada é difícil pra quem tem amor
Trinta dias depois eles estavam a voltar!
E traziam dois belos pássaros de valor
E eles estavam vivos para o feiticeiro sacrificar!
Mas
o velho feiticeiro surpreendeu
Em vez de matar e o feitiço preparar
Uma nova ordem ele aos jovens deu
Amarrassem uma na outra e as fossem soltar!
As
belas aves amarradas não podiam mais voar
Com dificuldades até para andar, ali ficaram...
Com o tempo passando, entraram a definhar...
E os namorados vendo isso, ao pajé reclamaram.
Que
se acabasse logo com aquele sofrimento
Que se preparasse bem rápido o encantamento.
Mas o velho mandou que as aves soltassem
Que novamente no céu elas livres voassem!
Ficaram
olhando a aves livres no alto voando
A principio cada uma foi para um lado
Mas depois retornaram e foram se buscando
E juntas sumiram no céu todo de azul pintado!
E
o feiticeiro começou a explicar
Para aqueles dois jovens emocionados
Que para juntos a felicidade experimentar
Nunca poderiam ficar juntos e acorrentados.
Tinham
somente que uma coisa aprender
O que todos os jovens já deveriam saber:
Que o segredo para quem estiver apaixonado
É saber voar livre, junto com o outro, lado a lado!
Poesia
adaptada de texto conhecido:
Sérgio
Avelhaneda
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