Palestra
adaptada e apresentada
por Sérgio
Avelhaneda na
Sociedade Allan
Kardec de Estudos
Espíritas
de Birigui em
04.06.2006
Aristófanes
foi um poeta
cômico
grego e foi
também
contemporâneo
de Sócrates
e foi ele quem
afirmou que
no começo
os homens eram
duplos, com
duas cabeças,
quatro braços
e quatro pernas.
Esses seres
mitológicos
eram chamados
de andróginos.
Os andróginos
podiam ter o
mesmo sexo nas
duas metades,
ou ser homem
numa metade
e mulher na
outra.
Bem, isso tudo
Aristófanes
criou para explicar
a origem e a
importância
do amor.
O mito fala
que os andróginos
eram muito poderosos
e queriam conquistar
o Olimpo dos
deuses, e para
isso construíram
uma gigantesca
torre.
Os deuses, com
o intuito de
preservar seu
poder, decidiram
punir aquelas
criaturas orgulhosas
dividindo-as
em duas, criando,
assim, os homens
e as mulheres.
Segundo o mito,
é por
isso que homens
e mulheres vagueiam
infelizes, desde
então,
em busca de
sua metade perdida.
Tentam muitas
metades, sem
encontrar jamais
a certa.
A parte do mito
sobre a origem
da humanidade
perdeu-se ao
longo das eras,
mas a idéia
de que o homem
é um
ser incompleto,
em sua essência,
perdura até
hoje.
Talvez seja
em função
disso que o
ser humano busca,
incessantemente,
por sua alma
gêmea
para preencher
sua carência
afetiva.
Embora o romantismo
tenha sustentado
esse mito por
milênios,
e muitos de
nós desejemos
que exista nossa
metade eterna,
é preciso
refletir sobre
isto à
luz da razão.
Se fôssemos
seres incompletos,
perderíamos
nossa individualidade.
Seríamos
um espírito
pela metade,
e não
poderíamos
progredir, conquistar
virtudes, ser
feliz, a menos
que nossa outra
metade se juntasse
a nós.
É certo
que vamos encontrar
muitas pessoas
na face da terra
com as quais
temos muitas
coisas em comum,
mas são
seres inteiros,
e não
pela metade.
O que ocorre
é que,
quando convivemos
com uma pessoa
com a qual temos
afinidades,
desejamos retê-la
para sempre
ao nosso lado.
Até aí
não haveria
nenhum inconveniente,
mas acontece
que geralmente
desejamos nos
fundir numa
só criatura,
como os andróginos
do mito.
E nessa tentativa
de fusão
é que
surge a confusão,
pois nenhuma
das metades
quer abrir mão
da sua forma
de ser.
Geralmente tentamos
moldar o outro
ao nosso gosto,
violentando-lhe
a individualidade.
O respeito ao
outro, a aceitação
da pessoa do
jeito que ela
é, sem
dúvida
é a garantia
de um bom relacionamento.
Assim, a relação
entre dois inteiros
é bem
melhor do que
entre duas metades.
As diferenças
é que
dão a
tônica
dos relacionamentos
saudáveis,
pois se pensássemos
de maneira idêntica
à do
nosso par, em
todos os aspectos,
não teríamos
uma vida a dois.
Pessoas com
idéias
diferentes têm
grande chance
de crescimento
mútuo,
sem que uma
queira que o
outro se modifique
para que se
transformem
num só.
Assim, vale
pensar que embora
o romantismo
esteja presente
em novelas,
filmes, peças
teatrais, indicando
que a felicidade
só é
possível
quando duas
metades se fundem,
essa não
é a realidade.
Todos somos
espíritos
inteiros, a
caminho do aperfeiçoamento
integral.
Não seria
justo que nossos
esforços
por conquistar
virtudes fosse
em vão,
por depender
de outra criatura
que não
sabemos nem
se tem interesse
em se aperfeiçoar.
Por todas essas
razões,
acredite que
você não
precisa de outra
metade para
ser feliz.
Lute para construir
na própria
alma um recanto
de paz, de alegria,
de harmonia
e segurança,
como espírito
inteiro que
é.
Só assim
você terá
mais para oferecer
a quem quer
que encontre
pelo caminho,
com sua individualidade
preservada e
com o devido
respeito à
individualidade
do outro.
Geralmente,
é na
juventude do
corpo que temos
despertado o
interesse em
buscar alguém
o sexo oposto
para compartilhar
dos nossos sonhos.
Quando encontramos
a alma eleita,
o coração
parece bater
na garganta
e ficamos sem
ação.
Elaboramos frases
perfeitas para
causar o impacto
desejado, a
fim de não
sermos rejeitados.
Então,
tudo começa.
O namoro é
o "doce
encantamento".
Logo começamos
a pensar em
consolidar a
união
e nos preparamos
para o casamento.
Temos a convicção
de que seremos
eternamente
felizes. Nada
nos impedirá
de realizar
os sonhos acalentados
na intimidade.
Durante a fase
do namoro é
como se estivéssemos
no cais, observando
o mar calmo
que nos aguarda,
e nos decidimos
por adentrar
na embarcação
do casamento.
A embarcação
se afasta lentamente
do cais e os
primeiros momentos
são de
extrema alegria,
são os
minutos mais
agradáveis.
Tudo é
novidade.
Mas como no
casamento de
hoje observa-se
a presença
do ontem, representada
por almas que
se amam ou se
detestam, nem
sempre o suave
encantamento
é duradouro.
Tão logo
os cônjuges
deixem cair
as máscaras,
afiveladas com
o intuito de
conquistar a
alma eleita,
a convivência
torna-se mais
amarga.
Isso acontece
por estarem
juntos espíritos
que ainda não
se amam verdadeiramente,
que é
o caso da grande
maioria das
uniões
em nosso planeta.
Assim sendo,
tão logo
a embarcação
adentra o alto
mar, e os cônjuges
começam
a enfrentar
as primeiras
tempestades,
o primeiro impulso
é de
voltar ao cais,
mas ele já
está
muito distante...
O segundo é
o de pular fora
da embarcação.
E é o
que muitos fazem.
E, como um dos
esposos, ou
os dois, têm
seus sonhos
desfeitos, logo
começam
a imaginar que
a alma gêmea
está
se constituindo
em algema e
desejam ardentemente
libertar-se.
E o que geralmente
fazem é
buscar outra
pessoa que possa
atender suas
carências.
Esquecem-se
dos primeiros
momentos do
namoro, em que
tudo era felicidade,
e buscam outras
experiências.
Alguns se atiram
aos primeiros
braços
que encontram
à disposição
para logo mais
sentirem novamente
o sabor amargo
da decepção.
Tentam outra
e outra mais,
e nunca acham
alguém
que consolide
seus anseios
de felicidade.
Conseguem somente
infelicitar
e infelicitar-se
a si mesmos,
na busca de
algo que não
encontram.
Se a pessoa
com quem nos
casamos não
era bem o que
esperávamos,
lembremo-nos
de que, se a
escolha foi
feita pelo coração,
sem outro interesse
qualquer, é
com essa pessoa
que precisamos
conviver para
aparar arestas.
Lembremo-nos
de que na terra
não há
ninguém
perfeito, e
que nossa busca
por esse alguém
será
em vão.
E se houvesse
alguém
perfeito, esse
alguém
estaria buscando
alguém
também
perfeito que,
certamente,
não seríamos
nós.
Você sabia
que os casamentos
são programados
antes do berço?
Nós planejamos,
antes de nascer,
se vamos ou
não casar,
com quem iremos
nos casar e
quem serão
nossos filhos.
Assim, temos
o cônjuge
que merecemos
e o melhor que
as leis divinas
estabeleceram
para nós.
Dessa forma,
busquemos amar
intensamente
a pessoa com
quem dividimos
o lar, pois
só assim
conseguiremos
alcançar
a felicidade
que tanto almejamos.
Qual seria o
maior adversário
para a felicidade.
Eles formavam
um casal harmônico.
Jovens e belos
desfilavam pelas
ruas de mãos
dadas e sorrisos
nos lábios.
Tudo parecia
lhes sorrir.
Profissionais
liberais, administravam
sua agenda de
forma que a
profissão
não lhes
tomasse todas
as horas.
Escoavam os
meses e se reprisavam
os anos de gentilezas,
traduzindo carinhoso
afeto.
Até que
um dia, um cliente
mais ousado
tomou atitudes
indevidas e,
embora fosse
rechaçado
com firmeza
pela jovem esposa,
o esposo se
encheu de ciúmes.
A partir de
então,
o relacionamento
começou
a deteriorar.
Ele se tornou
frio para com
ela. Os diálogos
amigos se transformaram
em monossílabos
forçados.
Ela passou a
agasalhar mágoa
no seu coração.
Finalmente,
optaram pela
separação.
A pedido dela,
ele saiu de
casa. Agora
se encontravam
somente no campo
profissional,
pois trabalhavam
no mesmo local.
As noites solitárias
começaram
a se tornar
intermináveis
e ele passou
a sentir a falta
dela. Analisou
os motivos da
separação
e descobriu
que havia sido
muito infantil.
Resolveu pedir
desculpas e
retornar ao
lar.
Em uma noite,
decidiu que
ao se erguer
pela manhã,
iria até
uma floricultura,
compraria lindas
flores e as
remeteria para
a sua amada.
Pensou em versos
cheios de amor
para esconder
entre o ramalhete
delicado:
"Alma
gêmea
da minhalma.
Flor de
luz da
minha
vida.
Sublime
estrela
caída
das belezas
da amplidão.
És
meu tesouro
infinito.
Juro-te
eterna
aliança.
Porque
eu sou
tua esperança.
Como és
todo o
meu amor." |
Adormeceu
pensando em
como se ajoelharia
aos seus pés,
confessando-lhe
o amor que sentia.
Quando amanheceu
o dia, vestiu-se,
perfumou-se
e foi até
a frente da
casa. Então
se sentiu um
tolo romântico.
E se ela não
o perdoasse?
E se ela não
estivesse disposta
a reatar o relacionamento?
Afastou-se.
Durante todo
aquele dia a
idéia
não lhe
saía
da cabeça.
Afinal, ela
estava ali,
tão perto,
trabalhando
na outra sala.
Não encomendou
as flores. Mas
leu e releu
os versos que
escrevera. Chegou
a noite, cheia
de estrelas.
O quarto de
hotel parecia
sufocá-lo.
Saiu, comprou
flores, escreveu
os versos em
lindo cartão
e se dirigiu
para a casa
dela.
A passo acelerado,
foi chegando.
Tinha na mente
para sair pelos
lábios
todas as frases
de perdão
e juras de amor.
Com o coração
em descompasso,
bateu à
porta. A empregada
atendeu chorosa
e vendo-o apontou
para o interior
da sala.
A jovem tivera
um problema
cardíaco
e morrera. As
flores que ele
levava serviram
para lhe adornar
o caixão.
Mas os versos
que ele fizera,
esses ele não
poderia jamais
declamar aos
seus ouvidos.
Era tarde demais...
O ciúme
é perigoso
adversário.
Tem a capacidade
de destruir
relações
afetivas, ferindo
os que a ele
se entregam.
Se você
já se
permitiu dominar
por ele, pense
em quanto já
perdeu em oportunidades
de ser feliz.
Quantas vezes
se tornou frio,
agressivo. Quantas
vezes magoou
e se sentiu
magoado.
E tome uma decisão
imediata. Abandone
esse sentimento
e retorne às
fontes generosas
do amor. Só
quem ama é
feliz e faz
os outros felizes.
O
que nós
pensamos
a respeito
do casamento?
|
As respostas
para esta pergunta
são as
mais variadas.
Uns dizem que
o casamento
é uma
instituição
falida. Outros
afirmam que
é coisa
do passado,
que o moderno
é viver
o sexo livre,
sem maiores
compromissos.
Vejamos o que
os Espíritos
responderam
à questão
proposta por
Allan Kardec,
em O Livro dos
Espíritos:
"Que
efeito teria
sobre a sociedade
humana a abolição
do casamento?"
"Seria
uma regressão
à vida
dos animais.
O estado de
natureza é
o da união
livre e fortuita
dos sexos. O
casamento constitui
um dos primeiros
atos de progresso
nas sociedades
humanas, porque
estabelece a
solidariedade
fraterna e se
observa entre
todos os povos,
se bem que em
condições
diversas. A
abolição
do casamento
seria, pois,
regredir à
infância
da humanidade
e colocaria
o homem abaixo
mesmo de certos
animais que
lhe dão
exemplo de uniões
constantes."
Podemos perceber,
com essa resposta,
que o casamento
é uma
excelente escola
de aprendizado
para o casal
e para os filhos
que chegam através
da sua união.
Todavia, o que
ocorre é
que poucas pessoas
se preparam
convenientemente,
antes do consórcio
matrimonial.
A ausência
desse cuidado,
quase sempre
ocasiona desastre
imediato de
conseqüências
lamentáveis.
Tentados por
paixões
de variada ordem,
que se estendem
desde o apelo
sexual até
os jogos dos
interesses financeiros,
deixam-se levar
e caem nas armadilhas
da própria
irresponsabilidade.
Podemos perceber
que o problema
não está
no casamento
em si, mas na
condução
que nós
damos a ele.
Considerando
que o lar é
a célula
básica
da sociedade,
a característica
de cada sociedade
será
a resultante
das características
gerais das famílias
que nela vivem.
Assim, se os
pilares que
deveriam sustentar
cada lar, desmoronam,
a sociedade
inteira se ressente
com as conseqüências.
E se não
há harmonia
no lar, que
é o embrião
da sociedade,
não haverá
sociedade harmonizada.
Ademais, sendo
o casamento
uma grande escola
para se aprender
a arte do convívio,
a fraternidade,
a solidariedade,
o cultivo do
afeto, se este
não sobrevive,
o que podemos
esperar da comunidade?
Infelizmente,
o que se pode
constatar quando
um casamento
se desfaz, é
a supremacia
do individualismo,
do egoísmo,
da tola vaidade,
do orgulho e
da prepotência
de uma ou de
outra parte,
ou de ambas.
O que acontece
é que
geralmente os
casais se esquecem
das promessas
feitas quando
da assinatura
desse contrato
de convivência
mútua
que chamamos
casamento.
As promessas
foram as de
ficar juntos
na alegria e
na tristeza,
na saúde
e na doença,
na riqueza ou
na pobreza,
mas juntos.
E dificilmente
o casamento
mal estruturado
resiste aos
primeiros golpes
da dificuldade
que se apresenta.
Os casais se
esquecem de
que apenas algumas
gotas de tolerância
podem salvar
e fortalecer
a união.
Que a renúncia
preserva o convívio
e o torna mais
sólido.
Que o esquecimento
de um mal-entendido
aproxima e engrandece
os seres. E
que o amor,
nas suas mais
variadas expressões,
é a ferramenta
capaz de solidificar
e conservar
a união
dos seres por
toda a eternidade
O
matrimônio
é
abençoada
oficina
onde podemos
aprender
a tecer
os mais
lindos
sonhos
de ventura
e paz.
É
a oportunidade
bendita
de reatar
os laços
rompidos
em existências
passadas
ou estreitar
o afeto
iniciado
com alegria.
O casamento
é
experiência
nobre
que pode
nos credenciar
aos altos
planos
da Criação,
ao encontro
da felicidade
plena
que tanto
desejamos |
|