APRENDENDO A AGIR COM BONDADE


Palestra organizada por Sérgio Avelhaneda e apresentada em 04.11.2005
no Centro Espírita “Dr. Raymundo Mariano Dias” de Birigui - SP.


       O desejo da felicidade é um sentimento muito próprio do ser humano.

       A busca do bem-estar constitui um dos fatores que nos levam ao progresso.

       Foi labutando para eliminar sensações desagradáveis que a humanidade desenvolveu seu intelecto
e habilidades.

       Caso o ser humano não procurasse fugir da dor e do desconforto, ainda estaria nas cavernas.

       Contudo, por mais que se procure incessantemente descobrir remédios e soluções para as dores, é
impossível ignorar a fragilidade da vida material.

       Tudo o que envolve a matéria encontra-se em contínuo processo de metamorfose.

       Todos os homens adoecem, envelhecem e morrem.

       As pessoas esforçam-se para conquistar bons empregos, mas nada lhes assegura que os manterão para sempre.

       A maior parte de nossos amores, sejam familiares ou amigos, não ficará conosco até o final da vida.

       A estabilidade financeira constitui objeto de preocupação de quase todos nós, mas a fortuna é transitória
e incerta.

       Ao longo do tempo, famílias ricas caem na miséria.

       Ao mesmo tempo, muitos pobres enriquecem.

       Esse contínuo alterar das condições materiais não evidencia crueldade da vida.

       A divindade não se compraz em brincar com os homens, para os desnortear.

       O persistente modificar e despedaçar que envolve a vida na terra destina-se a chamar a atenção dos
homens para o que realmente importa.

       Ao final de tudo, o que restará?

       A beleza física fenece com o tempo.

       As elevadas posições sociais gradualmente perdem sua importância ou são ocupadas por outros.

       A riqueza material não é levada para o além-túmulo.

       A única bagagem que o espírito leva para a vida imortal são as suas conquistas morais.


       Quem consegue, por entre as ilusões do mundo, desenvolver bondade, compaixão, pureza e retidão de
caráter, permanece para sempre assim.

       Na Terra, no plano espiritual ou nas encarnações futuras, as virtudes acompanham o espírito.

       E a verdade é que ser bom dá muito prazer.

       Trata-se do inverso do que ocorre com a maldade e os vícios de toda ordem, que somente ensejam
dor e sofrimento.

       Jamais se viu uma alma genuinamente bondosa mudar seu rumo ou arrepender-se de sua bondade.

       Contudo, inúmeras criaturas levianas ou maldosas, com freqüência, alteram o seu comportamento.

       É um evidente sinal de que as virtudes causam prazer, ao passo que as imperfeições apenas infelicitam.

       Afinal, ninguém desiste do que é realmente bom.

       As pessoas que conseguem enfrentar situações complicadas com serenidade causam admiração.

       Sabe-se como é difícil se manter tranqüilo em meio às crises do mundo.

       A harmonia e a paz são conquistas preciosas, que não surgem de um momento para o outro.

       Quem hoje se mostra tranqüilo, certamente gastou muito tempo disciplinando o próprio caráter.

       Entretanto, viver em harmonia é extremamente prazeroso.

       O ódio, o rancor e a ira desgastam profundamente o ser humano.

       Quem consegue livrar-se desses vícios torna-se muito mais feliz.

       Então, o equilíbrio felicita a criatura, o mesmo ocorrendo com todas as outras virtudes.

       O homem que vence a posse e ama pelo prazer de ver feliz o ser amado desenvolve imenso bem-estar.

       Ele não mais se angustia tentando controlar a vida de seu amor.

       Convém refletirmos sobre essa realidade, fazendo uma análise criteriosa de nosso caráter.

       Como desejamos a felicidade, é importante desenvolver em nós a única causa de permanente alegria:

       O amor ao bem e às virtudes em geral.

       Há no mundo pessoas cuja bondade causa encantamento geral.

       São exemplos: madre Teresa de Calcutá, irmã Dulce, Francisco Cândido Xavier, dentre outros.

       Não há nada como a grandeza alheia para fazer a criatura perceber a própria pequenez.

       Assim, o altruísmo dessas grandes almas torna as pessoas conscientes da necessidade de burilarem
o próprio caráter.

       Ao mesmo tempo, exemplos de virtudes tão transcendentes parecem demasiado longínquos às
criaturas comuns.

       Realmente, ninguém vira missionário do amor de um momento para outro.

       Ocorre que o bem possui infinitas formas.

       Não é necessário ser sublime para ser bom.

       As virtudes são conquistas graduais do espírito, que lentamente as incorpora em seu modo de ser.

       A criatura aprende a amar em um círculo restrito, composto de familiares e amigos.

       Paulatinamente, ela expande o sentimento, que por fim abarca a humanidade toda.

       Jesus é o perfeito exemplo do amor universal.

       Malgrado as fissuras morais que ainda caracterizam a humanidade, ele nos ama profundamente.

       Ainda estamos muito longe de tão sublime sentimento.

       Mas em algum momento é preciso que nos decidamos pelo bem.

       A vaidade faz com que o homem vincule a idéia de virtude a atos retumbantes.

       Ele imagina que somente assim todos perceberiam o seu valor e o admirariam.

       Nessa ótica, pequenas coisas não teriam qualquer valor.

       Mas é a soma de diminutos esforços que conduz a um grande resultado.

       Ademais, a felicidade, que constitui a meta real da humanidade, não se identifica com a aclamação pública.

       Esse sentimento de plenitude relaciona-se com a paz de quem possui a consciência tranqüila.

       Ante a exortação do cristo: “amai-vos”, torna-se evidente nosso dever de colaboração mútua.

       Somente quem procura auxiliar o progresso geral realiza sua missão na terra.

       E não há como viver em paz traindo o próprio destino.

       Na verdade, todos no mundo têm oportunidade de ser úteis.

       Apenas o egoísmo impede a prática do bem.

       Talvez ainda não tenhamos estofo moral para atos de genuíno desprendimento.

       Quiçá, dedicar a vida ao bem coletivo ainda não esteja ao nosso alcance.

       Mas podemos fazer o bem em nosso restrito círculo de atuação.

       Embora certas atitudes sejam singelas, elas constituem os primeiros passos na direção ao sumo bem.

       Por exemplo, ser bom pai, filho ou irmão.

       Não é preciso ostentar virtudes angelicais para tratar bem os subordinados,
para ser um bom profissional.

       A gentileza com o próximo, qualquer que seja a sua situação, não demanda grande esforço.

       Ser pontual, honesto e confiável também nada tem de excepcional.

       Contudo, tais características são preciosas na vida em sociedade.

      Imagine-se um ambiente composto exclusivamente de seres gentis, íntegros e cumpridores de seus deveres.

       Não é difícil conceber o quão prazeroso seria viver nele.

       O clima psíquico da terra compõe-se da vibração de todas as pessoas que a ela se vinculam.

       Está em nossas mãos colaborar para que nosso planeta gradualmente se converta em um paraíso.

       Para tal, não são necessários atos grandiosos.

       Basta fazermos o bem na medida de nossas possibilidades.

       Vou lhes contar uma história que pode ilustrar um pouco o que estou falando hoje:

       Durante uns trinta anos, um Vizir, que era conhecido e admirado por sua lealdade, sinceridade e devoção a Deus, serviu ao seu senhor.

       Sua honestidade, entretanto, gerou inimigos na corte, que espalhavam calúnias a seu respeito.

       Eles falavam ao ouvido do Sultão o dia inteiro, até que ele também começou a desconfiar do inocente
Vizir e acabou condenando à morte o homem que lhe servia tão bem.

       Naquele reino, quem fosse condenado à morte, era amarrado e jogado no cercado onde o Sultão mantinha
os seus cães de caça mais ferozes.

       Os animais estraçalhariam a vítima de imediato. Antes de ser jogado aos cães, entretanto, o Vizir fez um
último pedido: precisaria de dez dias de trégua.

       Nesse tempo pagaria as dívidas, recolheria o dinheiro que lhe deviam e devolveria artigos que as pessoas
lhe deram para guardar.

       Dividiria seus bens entre os membros da sua família e indicaria um guardião para os filhos.

       Depois de ter a garantia de que o Vizir não iria tentar fugir, o Sultão lhe concedeu o pedido.

       O Vizir correu para casa, juntou cem moedas de ouro, depois foi visitar o caçador que cuidava dos cães
do Sultão.

       Ofereceu ao homem as cem moedas de ouro e disse: "deixe-me cuidar dos cães durante dez dias".

       O caçador concordou e durante os dez dias seguintes o Vizir cuidou das feras com muita atenção,
tratando-as bem e alimentando-as bastante.

       No final dos dez dias elas estavam comendo na sua mão. No décimo primeiro dia, o Vizir foi chamado
à presença do Sultão, e este assistiu enquanto o Vizir era jogado aos cães.

       Mas quando as feras o viram, correram até ele e mordiscaram afetuosamente suas mãos e começaram a
brincar com ele.

       O Sultão ficou espantado e perguntou ao Vizir por que os cães haviam poupado a sua vida.

       O Vizir respondeu: "cuidei desses cães durante dez dias e o senhor mesmo viu o resultado.

       Eu cuidei do senhor durante trinta anos, e qual foi o resultado? Fui condenado à morte por causa de
falsas acusações levantadas por meus inimigos”.

       O Sultão corou de vergonha. Ele não só perdoou o Vizir como lhe deu belas roupas e lhe entregou os homens que o haviam difamado.

       Mas o nobre Vizir os libertou e continuou a tratá-los com bondade.


       Por vezes nós temos agido como o Sultão da história.

       Desconsiderando pessoas que nos são fiéis por longo tempo, damos ouvidos a outras que desejam destruir e infelicitar.

       Há sempre caluniadores nos palcos terrenos, e sempre há quem lhes dê ouvidos e crédito.

       O indivíduo que fala mal dos outros quando estes estão ausentes, não tem boas intenções.

       Quem deseja edificar, corrigir equívocos, melhorar a situação, fala diretamente com os envolvidos e ouve as suas razões.

       Geralmente instigadas pela inveja, o ciúme, o despeito, pessoas arrasam a vida de outras pessoas e
geram infelicidade para si mesmas, num futuro próximo ou distante.

       Por isso, é sempre importante pensar sobre as verdadeiras intenções daqueles que gostam de fazer
comentários sobre quem não está presente e não tem a menor chance de se defender.

       É importante considerar, ainda, que quem faz comentários maldosos dos outros para você, poderá fazer de você para os outros, logo mais.

       Pensando assim, sempre que o assunto em pauta for uma pessoa, seria justo que ela pudesse participar
da conversa.

       Você não gostaria de estar presente quando o assunto fosse você?

       Pois bem, é muito provável que as outras pessoas também desejem o mesmo.

       Por mais fascinante que seja falar mal dos outros “pelas costas”, isso jamais fará dessa prática uma
atitude nobre.

       Vamos fazer dessa prática uma constante no nosso Lar, no nosso trabalho e no nosso Centro Espírita?

       Vamos tentar?

       Muito Obrigado pela amável atenção de todos vocês!

Muito obrigado, mesmo!

 


Bibliografia: Esta palestra foi montada com base em vários textos extraídos do site www.momento.com.br



 

 

 

 



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