CONSCIÊNCIA, CULPAS E DESCULPAS!


Palestra organizada e apresentada por Sérgio Avelhaneda, na noite de 26.04.06 no
Centro Espírita “Dr. Raymundo Mariano Dias” de Birigui/SP.

 


Allan Kardec, o grande responsável pela codificação do Espiritismo, perguntou aos Sábios do mundo espiritual onde estariam escritas as leis de Deus.
E eles responderam: na consciência.
Dessa forma, todos os seres humanos trazem consigo, bem gravadas na própria consciência, as leis divinas.
Todavia, embora estejam escritas, nem todos conseguem ler e interpretar essas leis e praticá-las. Para isso é necessário o desenvolvimento do senso moral.
E essa conquista é fruto do esforço pessoal, do estudo, da meditação, dos pensamentos nobres.
O despertar da consciência é efeito natural do processo evolutivo, e essa conquista permitirá ao ser avaliar fatores profundos como o bem e o mal, o certo e o errado, o dever e a irresponsabilidade, a honra e a desonra, o nobre e o vulgar, o lícito e o irregular, a liberdade e a libertinagem.
Essa consciência não é de natureza intelectual, atividade dos mecanismos cerebrais. É força que os impulsiona, porque nascida nas experiências evolutivas, a exteriorizar-se em forma de ações.
Encontramo-la em pessoas incultas intelectualmente, e ausente em outras, portadoras de conhecimentos acadêmicos.
Especialistas em problemas respiratórios, por exemplo, que conhecem os danos provocados pelo tabagismo, pelo alcoolismo e por outras drogas, e que, apesar disso, usam, eles próprios, qualquer um desses flagelos, demonstram que ainda não desenvolveram a consciência plena.
Os seus dados culturais são frágeis de tal forma, que não dispõem de valor para manter uma conduta saudável.
Por outro lado, há indivíduos que não têm conhecimento intelectual mas possuem lucidez para agir diante dos desafios da existência, elegendo um comportamento não agressivo e digno, mesmo que a custa de sacrifícios.
A consciência pode ser treinada mediante o exercício dos valores morais elevados, que objetivam o bem do próximo e, por conseqüência, o próprio bem.
Caso deseje iluminar sua consciência, eis algumas breves regras que vão ajudar você a alcançar esse propósito:
Administre os seus conflitos. O conflito psicológico é inerente à natureza humana e todos o sofrem.
Evite eleger homens-modelo para seguir. Eles também são falíveis e, às vezes, se comprometem, o que, de maneira alguma deve constituir desestímulo.
Permita-se maior dose de confiança nos seus valores, esforçando-se para melhorar sempre e sem desânimo. Se errar, repita a ação, se acertar, siga adiante.
Não fuja ao enfrentamento de problemas usando desculpas falsas, comprometedoras, que o surpreenderão mais tarde com dependências infelizes.
Reaja à depressão, trabalhando sem auto-piedade nem acomodação preguiçosa.
Tenha em mente que os seus não são os piores problemas. Eles pesam o volume que você lhes dá.
Liberte-se da queixa pessimista e medite mais nas fórmulas para perseverar e produzir.
Nunca ceda espaço à hora vazia, que se preenche de tédio, mal-estar ou perturbação.
Lembre-se que você é humano e o processo de conscientização é lento. Você adquirirá segurança e lucidez através da ação contínua e firme.

A existência terrena é toda uma oportunidade para enriquecimento contínuo.
Cada instante é ensejo de nova ação propiciadora de crescimento, de conhecimento, de conquista.
Saber utilizá-la é desafio para a criatura que aspira por novas realizações.

As perguntas mais freqüentes, no ambiente de trabalho, geralmente são: "Quem é o culpado?", "Quem fez isso?", "Quem foi?", etc.

Por conseguinte, as respostas aparecem: "Não fui eu", "Não tenho culpa", "Não sei de nada", "Eu nem estava aqui", e assim por diante.
Basta surgir um problema qualquer, ou alguma coisa dar errado e lá vem a pergunta, seguida da esperada resposta.

E não é raro que os acusadores de plantão estejam alertas para denunciar: "isso é coisa de fulano", "Beltrano é que costuma fazer isso", "Não disse que não ia dar certo?", "Eu bem sabia que isso iria acontecer..."

E assim passamos os dias, os meses, os anos... Sempre à procura de culpas e de culpados...

No entanto, dizem a razão e o bom senso, que melhor seria encontrar a solução do problema e depois buscar as causas, sempre com intuito de evitar que ocorra novamente.

Uma equipe que agisse dessa maneira, desarmada e comprometida com a tarefa, faria o trabalho fluir de forma harmônica e séria, em vez de emperrar, volta e meia, para uma "caçada às bruxas".

Numa equipe que pensa mais em buscar culpados do que encontrar soluções, a criatividade é quase nula, e as pessoas não ousam sair dos limites que lhes foram traçados, para não correr riscos.

O colaborador que trabalha com confiança na sua equipe, certo de que quando errar terá o apoio dos demais para encontrar o caminho certo, será uma pessoa inovadora, criativa, desarmada e sincera.

Já num ambiente em que a todo momento se corre o risco de ser denunciado, punido, agredido com palavras e gestos, as pessoas ficam cada vez mais inseguras, temerosas, e o ambiente se torna falso, irrespirável.

Quando a equipe é madura e seus membros são responsáveis, discutem-se problemas e soluções com tranqüilidade, sem melindres, sem acusações de cunho pessoal, mas com uma análise sincera do desempenho dos tarefeiros e da tarefa.

O que geralmente ocorre é que as pessoas acusam-se reciprocamente em vez de avaliar a atividade e envidar esforços para fazer o melhor.

Existem, também, as pessoas imaturas, que levam tudo para o campo pessoal e melindram-se quando ouvem críticas ao seu trabalho.

É importante considerar tudo isso e começar a agir com maturidade em prol da atividade, e para o bem de todos.

Trabalhar numa equipe madura e consciente da importância de cada um de seus membros, é o grande diferencial para se conseguir o bom desempenho de todos e a excelência do trabalho.

Em vez de acusadores, parceiros.

Em vez de desleixo, descuido, temor, colaboração.

Temos que pensar nisso!

O ser humano é naturalmente experimentador, inovador, ousado.

Quando reprimido, torna-se falso, dissimulado, propenso a sabotar o trabalho dos outros.

Quando ouvido, valorizado, considerado, orientado, liberta sua criatividade e produz coisas belas e nobres.

Pense nisso e aja de forma madura com seus pares. Você cresce e os outros também.

Afinal, a vida na terra é um aprendizado constante. E só cresce quem tem humildade para aprender, discernimento para ensinar e, sobretudo, coragem de renovar atitudes para melhor.


Um artigo publicado no jornal nos chamou a atenção, pelo tema enfocado. Tratava das desculpas que sempre damos para justificar a nossa infelicidade.
O articulista dizia que um amigo seu, depois de mais de uma década de casamento infeliz, separou-se e, após temporária euforia, caiu em profunda tristeza.
Curioso, perguntou-lhe: “qual a razão para tanto sofrimento?”.
E seu amigo respondeu: “aquela maldita está me fazendo uma grande falta, pois agora já não tenho a quem culpar pela minha infelicidade”.
O curioso é que muitas vezes nós também agimos de maneira semelhante, pois sempre estamos à procura de alguém a quem responsabilizar pela nossa infelicidade.
E isso é resultado do atavismo que trazemos embutido na nossa forma de pensar e agir.
Quando somos jovens ouvimos nossos pais e amigos dizerem que um dia encontraremos alguém que nos faça feliz.
Então acreditamos que esse alguém tem a missão de nos trazer a felicidade. E passamos a aguardar que chegue logo para fazer o milagre.
Mas, antes disso, quando ainda somos criança, nossos pais acham sempre algo ou alguém a quem culpar pelo nosso sofrimento.
Se nos descuidamos e tropeçamos numa pedra, a culpa foi da pedra, que não saiu da nossa frente.
Se brigamos com o amiguinho, foi ele que nos provocou. Se tiramos nota baixa na escola, a culpa é do professor que não soube nos ensinar.
E é assim que vamos terceirizando nossos problemas e nossa felicidade. E, por conseguinte, as responsabilidades e as soluções.
Se sinto ciúmes, é porque a pessoa com quem me relaciono não permite que eu dirija a sua vida. Embora devesse admitir que é porque não sinto confiança em mim.
Se a inveja me consome, a culpa é de quem se sobressai, de quem estuda mais do que eu, de quem avança e não me dá satisfação dos seus atos.
Se alguém do meu relacionamento tem mais amizades e recebe mais afeto do que eu, fico inventando fofocas para destruir as relações, em vez de conquistar, com sinceridade e dedicação, o afeto que desejo.
Se uma amiga, ou amigo, faz regime e emagrece, e eu não consigo, fico infeliz por isso.
Se tenho problemas de saúde e não melhoro, a culpa é do médico, afinal eu o pago para me curar e ele não cumpre o seu dever..., ainda que eu não siga as suas orientações.
Se não consigo um bom emprego é porque ninguém me valoriza, e às vezes esqueço de que há muito tempo não invisto na melhoria de minha qualidade profissional.

Pensando assim, nós nos colocamos na posição de vítimas, julgando que só não somos felizes por causa dos outros. Afinal, ninguém sabe nos fazer feliz...
Importante pensar com maturidade a esse respeito, pois somente admitindo que somos senhores da nossa vida e do nosso destino, deixaremos de encontrar desculpas, e faremos a nossa parte.

Se seus relacionamentos estão enfermos, analise o que você tem oferecido aos outros. De que maneira os tem tratado. Que atenção tem lhes dado.
Considere sempre que você pode ser o problema. Analise-se. Observe-se. Ouça a sua voz quando fala com os outros.
Sinta o teor de suas palavras. Preste atenção quando fala de alguém ausente.
Depois dessas observações, pergunte-se, sinceramente, se você tem problemas ou se é o próprio problema.
Não tenha medo da resposta, afinal você não deseja ser feliz?
Então não há outro jeito, a não ser enfrentar a realidade...
A felicidade é construção diária e depende do que consideramos o que seja ser feliz.
Se admitimos que a felicidade é uma forma de viver, basta aprender a arte de bem-viver.
E bem viver é buscar a solução dos problemas, sem terceirização...
É assumir a responsabilidade pelos próprios atos.
É admitir que a única pessoa capaz de lhe fazer feliz, está bem perto...
Para vê-la é só chegar em frente ao espelho, e dizer: “muito prazer pessoa capaz de me fazer feliz!”
Vamos pensar nisso , e vamos em busca de nossa real felicidade, sem ilusões e sem medo.

O sol apenas despertara a aurora e a brisa fresca da manhã trazia notícias de que a chegada do inverno estava próxima.

No parque, poucas pessoas faziam sua caminhada matinal, antes dos afazeres diários...

A agitação das aves era notada por aqueles que sabem apreciar esses detalhes da natureza.

Numa árvore próxima a uma pequena ponte, um joão-de-barro construía sua morada.

Lá estava ele... esticando o pescoço o quanto dava para construir a parte superior do ninho.

Do pequeno monte de barro depositado na parte inferior do ninho, ele retirava porções mínimas com o bico e fazia os retoques nas laterais de sua habitação.

Um trabalho árduo, sim, para quem não tem mãos, não tem ferramentas, não tem ajuda de ninguém... Tem apenas o bico e asas para voar em busca de matéria prima.

Um pássaro muito pequeno, um exemplo de dedicação e de fidelidade ao instinto recebido do criador.

Aquele joão-de-barro não se importava com seus vizinhos, com os predadores, com as intempéries, apenas construía seu ninho com esmero, sem preguiça, sem desculpas, com dedicação.

Mas nem todos os pássaros são exemplos de dedicação e trabalho.

O chupim, ou engana-tico, pássaro muito comum no Brasil, não constrói ninho. A fêmea procura um ninho de tico-tico ou de outra espécie, joga fora o ovo que encontra e bota ali o seu próprio ovo.

A verdadeira dona do ninho não se dá conta e choca o ovo da invasora até que nasça o filhote.

O filhote de chupim já nasce maior do que sua mãe adotiva, mas esta se desdobra para alimentá-lo até que tenha condições de buscar o próprio sustento.

Duas aves, duas situações bem diferentes.

Uma possui a arte de trabalhar, a outra o instinto de enganar, de roubar, de matar.

Assim também acontece no reino dos humanos.

Existem homens que trabalham com dedicação, seriedade, honestidade, honradez.

E existem pessoas que vivem do esforço alheio. Nada produzem; nada edificam. Aproveitam-se do trabalho dos outros, e são hábeis no instinto de enganar.
São verdadeiros parasitas sociais. São corruptos, hipócritas, malandros, e se dizem espertos.
Têm orgulho de lesar o erário, lesar pessoas, fazer conluios, conchavos, negociatas...

Enchem os cofres com o dinheiro das drogas, das barganhas, da vilania, das guerras.

São os chupins da humanidade...

Seriam eles os verdadeiros espertos?

Ah, certamente não!

Pobres criaturas que pensam enganar a própria consciência!
Ao contrário do que acontece com os chupins que só tem o instinto animal, o ser humano tem responsabilidade moral sobre todos os atos praticados, em sã consciência.

E, mais cedo ou mais tarde, terão que devolver às soberanas leis que regem o universo moral, tudo o que tenham retirado de forma ilícita.

Desse supremo juiz, do tribunal chamado consciência, nada escapa, nada se burla, nada se perde.

Por isso vale a pena olhar para si, em frente ao espelho e responder com toda sinceridade: “sou joão-de-barro, ou sou chupim?”

Em prol da própria saúde mental, se a resposta pender para chupim, vale a pena uma mudança radical de atitude... Porque a vida não termina no túmulo, e todos receberemos conforme nossas obras.
Vamos pensar nisso!
O trabalho é lei da vida.

Ninguém engana a própria consciência fugindo ao dever.

Na grande folha de pagamento do código divino, estão registrados todos os nossos serviços, nossos desserviços e nossas faltas, e é segundo esses registros que receberemos no além túmulo.

Vamos pensar nisso, mas vamos pensar agora!

Palestra montada com base em textos retirados do site: www.momento.com.br


Foto de Sérgio Avelhaneda


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