MÃES! ESSAS PESSOAS ESPECIAIS...

Palestra organizada e apresentada por Sérgio Avelhaneda

Existem homens e mulheres que são especiais.
Estou dizendo isso porque existem homens que são mães e mulheres que são pais.
Em dadas circunstâncias, essas pessoas parecem princesas ou príncipes ou mesmo rainhas ou reis, pois encantam, fascinam e mostram ter poderes de tal modo expressivos, diante dos quais temos que abaixar as nossas cabeças em reconhecimento.
Essas pessoas em certas ocasiões em que são como administradoras ou economistas, quando se põem a organizar a vida do lar, seus movimentos e despesas, tudo aquilo que se compra e o que se põe na mesa, para o bem estar de todos de todos.
Conseguem, muitas vezes, ajuntar alguma quantia que sobra para momentos mais difíceis.
Quantas vezes se mostram como agentes de disciplina?
Sabem usar a voz e quando necessário apenas alteiam a voz um pouquinho, como quem dá voz de comando, ordenam, e causam um impacto com o jeito de falar, e põem, dessa maneira, tudo e todos em seus devidos lugares, dentro de casa. Ensinam que precisamos ter limites para vivermos bem com todo mundo.
Outra vezes essas pessoas são quais colegas, quais colegiais.
Envolvem-se com as crianças, brincam, jogam com elas; dão risadas com elas, até o momento certo e justo de estancar a brincadeira.
Outras vezes ainda essas pessoas se transformam em médicas ou enfermeiras, diante das necessidades dos seus filhos.
Sabem acolher, preparam-lhes preparados e chás diversos, e, muitas vezes contrariando as instruções formais, dão-lhes xaropes e pastilhas.
Se os filhos estão enfermos, dão lhes banho, e os levam para seus leitos, recobrem-nos, acalentam e vigiam, dias e noites, até que retornem à saúde.
Mas, dentre essas pessoas incríveis, especiais de verdade, temos aquelas que reúnem todas essas habilidades juntas:
Ao mesmo são mestras, são agentes disciplinares; são administradoras e economistas, enfermeiras, psicólogas, são médicas.
São cozinheiras, lavadeiras, operárias. Conseguem ser governantas, serviçais e chegam a ser santas.
Essas almas humanas que podem ser de homens, mas geralmente são mulheres geniais que são alimentadas pelo estranho ideal de sempre entender, de sempre atender e de sempre servir.
Acredito até que são companheiras próximas dos anjos, são servidoras de Deus e mensageiras da vida. São nossas fãs, amigas extremadas para quem nunca há nada impossível, quando se trata de atender-nos, de alegrar-nos, de ajudar-nos.
São mulheres e estou falando agora só das mulheres, porque vejo que esse tipo especial de pessoas então na maioria no meio das mulheres do tipo sem igual. Elas perfumam como flores, são ardentes como o fogo e brilham como estrelas.
Apesar todos os elogios que lhes possamos fazer, o que é mais tocante, mais comovente, é saber que uma dessas mulheres, incumbidas por Deus para mudar o mundo, ajudando o mundo a ser melhor, a ser um lugar bom de se viver, tem uma missão particular.
Há uma mulher para quem o Criador entregou a missão de cuidar de mim! Ela tem a missa de fazer-me estudar para entender, a missão de ensinar-me a rezar para eu não perca a minha ligação com o Criador da vida, tem a missão de me fazer crescer, evoluindo para que venha a respeitar a todos e a ser um trabalhador para o bem.
Essa mulher é um encanto em minha vida, e não há ninguém que se pareça com ela.
Ao pensar nessa mulher, meus olhos se enchem de lágrimas e bate forte o meu coração. Ela se parece com uma mistura de ouro e diamante...
Ela é uma luz que torna meu caminho brilhante, todinho iluminado.
Essa mulher é aquela a quem eu chamo de minha mãe.
A missão de ser mãe quase sempre começa com alguns meses de muito enjôo, seguido por desejos, vontades incontroláveis por comidas estranhas, aparece logo um aumento de peso, dores na coluna, e também um estranho aprimoramento da arte de arrumar travesseiros preenchendo espaços entre o volume da barriga e o resto da cama.
Ser mãe é não esquecer a emoção do primeiro movimento do bebezinho dentro da barriga; o instante maravilhoso em que ele se materializou ante os seus olhos, a boquinha sugando o leite, com vontade, e o primeiro sorriso de reconhecimento.
Ser mãe é ficar noites sem dormir, é sofrer com as cólicas do bebê e se angustiar com os choros inexplicáveis: será dor de ouvido, fralda molhada, fome, desejo de colo?
Ser mãe é a inquietação com os resfriados, ficar em pânico com a ameaça de pneumonia, ficar de coração partido com a tristeza causada pela morte do bichinho de estimação do pequerrucho, seu filho.
Ser mãe é ajudar o filho a largar a chupeta e também a mamadeira. É leva-lo para a escola e segurar suas mãos na hora da vacina.
Ser mãe é se deslumbrar em ver o filho se revelando em suas características únicas, é observar suas descobertas. Sentir sua mãozinha procurando a proteção da sua, e se emocionar ao ver o corpinho do seu filhote se aconchegando debaixo dos cobertores.
É assistir aos avanços, sorrir com as vitórias e ampara-los nas pequenas derrotas. Ser mãe é também ouvir as confidências.
Ser mãe é ler sobre uma tragédia no jornal e se perguntar: “e se tivesse sido meu filho?”
E quando ao ver fotos de crianças famintas, se perguntar se pode haver dor maior do que ver um filho morrer de fome.
Ser mãe é descobrir que se pode amar ainda mais um homem ao vê-lo passar talco, cuidadosamente, no bebê ou ao observa-lo sentado no chão, brincando com o filho. Ser mãe é se apaixonar de novo pelo marido, mas por razões que antes de ser mãe consideraria muito pouco românticas.
É sentir-se invadir de felicidade ante o milagre que é uma criança dando seus primeiros passos, conseguindo expressar com dificuldade em palavras seus sentimentos, juntando as letras numa frase.
Ser mãe é se encher de alegria ao ouvir uma gargalhada gostosa, ao ver o filho acertando a bola no gol ou vê-lo mergulhando corajosamente na piscina daquele trampolim mais alto.
Ser mãe é descobrir que, por mais sofisticada que se possa ser, por mais elegante, um grito aflito de “mamãe” a faz derrubar a comida que estava fazendo ou derrubar o copo de cristal mais fino, sem a menor hesitação.
Ser mãe é descobrir que sua vida tem menos valor depois que chega o bebê. É descobrir também que deseja sacrificar a própria vida para salvar a vida do filho, mas ao mesmo tempo deseja viver mais – não para realizar os seus sonhos - , mas para ver a criança realizar os sonhos dela.
Ser mãe ouvir o filho falar da primeira namorada, ou falar da sua primeira decepção e quase morrer de preocupação na primeira vez que ele se aventurar ao volante de um carro.
É ficar acordada de noite, imaginando mil coisas, até ouvir o barulho da chave na fechadura da porta e os passos do jovem, ecoando portas adentro do lar.
Finalmente, é se deixar encher de gratidão por tudo que se recebe e se aprende com o filho, pelo crescimento que ele proporciona, pela alegria profunda que ele dá.
Ser mãe é aguardar o momento de ser avó, para renovar as etapas da emoção, numa novafase diferente da vida com doçura e entendimento.
É apertar nos braços com muito carinho o filho do filho e descobrir naquele rostinho tão pequeno, os traços maravilhosos do bem mais precioso que lhe foi confiado ao coração: um espírito imortal vestido nas carnes de seu filho.

A verdade é que maternidade é uma dádiva, um grande presente. Ajudar um pequenino a desenvolver-se e a descobrir-se, tornando-se um adulto digno, é responsabilidade que Deus confere ao coração da mulher que se transforma em mãe.
E toda mulher que se deixa ser mãe, seja da sua ou da carne alheia, descobre que o filho que depende do seu amor e da segurança que ela transmite, é o melhor presente que Deus lhe deu.

Mães são criaturas especiais. E essas mulheres especiais possuem uma visão de mundo toda especial também.
Elas guardam a experiência, porque já viveram mais tempo que seu filho. Experimentaram incontáveis alegrias. Também já experimentaram tristezas, mágoa e dor.
E sabem que, por mais que amem seu filho, não poderão impedir que tudo isso ele também experimente: coisas positivas e coisas negativas.
Sabem igualmente que tudo isso faz parte do grande aprendizado que redundará em progresso para ele próprio.
Possivelmente, por tudo isso é que uma mãe, certa vez, escreveu uma carta, mais ou menos com as mesmas palavras que vou dizer agora:
Querido mundo:
Meu filho começou hoje na escola. Durante algum tempo, tudo vai ser estranho e diferente para ele.
Eu gostaria que você o tratasse com carinho.
Até aqui, sempre estive ao lado dele. Estive sempre aquietando o seu coração e curando as suas feridas.
Estive por perto quando ele caiu e ralou o cotovelo e o joelho.
Quando ele cai da bicicleta, do skate e tropeça nos cadarços soltos do tênis eu estava sempre perto.
Mas agora tudo vai ser diferente. Esta manhã ele vai sair pela porta da rua, acenar para mim e começar sua grande aventura.
Ele irá aprender provavelmente sobre competições, tragédias e sofrimentos.
E para viver neste mundo é preciso fé, amor e coragem.
Por isso, mundo, eu gostaria que você o pegasse pela mão e ensinasse o que ele precisa saber.
Ensine-o, mas com carinho. Ensine-o que, para cada malandro que existe por aí, existe também um herói.
E que, em verdade, há muito mais heróis do que malandros. Heróis anônimos que realizam grandes proezas todos os dias.
Solicito ao mundo que fale para o meu filho muito mais dos heróis do que se fala de bandidos. Imploro que o mundo incentive meu filho a se tornar um herói.
Quero que ensinem pra ele que para cada político corrupto existe um líder dedicado. E contem pra ele os detalhes das vidas desses líderes para que ele um dia os possa imitar.
Ensine-o que para todo inimigo existe também um amigo. E que seja ensinado para o meu filho como é que se faz conquistar e conservar amigos.
Ensine-o sobre as maravilhas dos livros. Livros de ciência, de arte, de grandeza.
Dê a ele um momento de silêncio para que possa pensar sobre o mistério dos pássaros no céu, das abelhas ao sol e das flores nas Campinas.
Ensine-o que é muito mais digno fracassar do que trapacear. Que é preferível perder, do ganhar enganando alguém.
Ensine o meu filho a ter fé nas próprias idéias, mesmo quando todo mundo lhe disser que ele está errado.
Ensine-o que seu coração e sua alma nunca devem estar à venda.
Ensine-o a fechar os ouvidos para a vozes da multidão... E manter-se firme e disposto a lutar quando achar que está certo.
Ensine-o com carinho, mundo, mas não o encha de mimos, pois é o teste do fogo que produz o aço mais resistente.
Mundo veja o que você pode fazer por meu filho. O meu filho é alguém muito especial.

A educação de uma criança não é somente um trabalho de amor e um dever.
É uma missão interessante, desafiadora e honrosa. Em verdade, essa missão exige do educador o melhor que ele tenha para dar.
Por isso, maternidade e paternidade são missões das mais nobres, confiadas por Deus, o nosso Criador, para a mulher e também para o homem, notem que nenhuma mulher e nenhum homem conseguem ficar grávidos sozinhos.
Precisamos pensar nisso!
Quando chega o Dia das MÃES eu fico um pouco triste, porque vejo todo mundo abraçando suas mãe e eu não posso mais fisicamente abraçar a minha. A minha mãe já se foi...
Então resolvi escrever uma carta pra ela:

Mãe, quando eu comecei a escrever esta carta, usei a pena do carinho, molhada na tinta rubra do coração ferido pela saudade.
As notícias que tenho pra te dizer, que eu tentei arrumar como pérolas enfiadas em um fio precioso, começaram a saltar de lugar, atropelando o ritmo das minhas lembranças.
E eu me enxerguei-me outra vez criança. Uma criança orientada pela sua paciência. Senti outra vez as suas mãos seguras, que me ajudaram a caminhar.
E todas as recordações, todas as lembranças, se molharam com as lágrimas que cairam dos meus olhos tristes.
E vi outra vez , no meu pensamento voador, a minha irmã que implicava comigo.
Quantas teimas eu tive com minha irmã. Por causa do brinquedo, pelo comida que eu queria que ela fizesse, outras vezes para que não sujasse a casa que ela limpava.
Parece que estou ouvindo agora a voz dela estridente a implicar comigo. E você, minha mãe, lecionando calma, tolerância.
Na hora do lanche, para a lição da honestidade, você dava a faca para nós, para repartir o pão e o bolo.
Quantas vezes seu olhar, mãe, me alcançou, dizendo-me, sem palavras, que a minha fatia de pão era grande demais.
Lembro-me quando tentava me ajudar com lições da escola, lembro-me dos passeios que fizemos juntos, lembro-me que me compravas um doce, lembro-me de você me comprando a primeira coca-cola.
Quantas lembranças, mãe querida!
Dos dias da adolescência, quando comecei a deseja fazer os meus primeiros vôos de liberdade antes mesmos de ter as minhas asas emplumadas.
Dos dias da juventude quando eu sonhava muito mais do que você poderia me dar, mesmo sendo lutadora solitária.
Lágrimas de frustração que você enxugou. Lágrimas de dor, de mágoa que você limpou, alisando o meu rosto.
Quantas vezes ouço sua voz repetindo, uma vez mais: “tudo tem seu tempo, sua hora! Aguarde! Treine paciência!”
E de outras vezes você me dizia: “cada dia é oportunidade diferente. Tudo que você tem é dádiva de Deus, que não deve desprezar.
A migalha que você despreza pode ser riqueza em prato alheio. O dia que você perde na ociosidade é tesouro jogado fora, que não retorna.”
Lições e lições vindas de minha mãe!
A casa simples, construída no meio dos pés de tamarindo, jabuticabas e laranjeiras vem novamente aparecer na minha memória, me enchendo de emoção.
Voltei aos caminhos percorridos para entrar nessa casa novamente, como se eu fosse alguém que fora expulso do paraíso, mas que estava voltando de repente.
Mãe! Chegou um momento em que a carta me envolveu de tal forma, que eu já não sabia se a escrevera.
E porque a carta falava no meu coração dolorido, então eu voei, vencendo a distância que me separa de você.
E vim, eu mesmo, a fim de que você veja e ouça as notícias que tenho pra te dizer vibrando em mim.
Mãe eu estou aqui! Eu sou a carta viva que ia escrever e mandar a você!
Meus amigos,
Entre as correrias da vida, nas atividades que o mundo nos envolve, precisamos reservar um tempo para essa especial criatura chamada mãe.
Não podemos esquecer a nossa mãe.
Então podemos escreva, telefonar, mandar uma flor, dar um mimo de presente.
Vamos pensar quantas vezes, em nossa vida, ela já fez a mesma coisa para nós.
E não vamos deixar de abraçá-la, de lhe dar carinho, confortar seu coração.
Você, eu, todos nós, seremos sempre para ela, com certeza, o melhor e o mais caro presente!

 

Palestra montada com base em textos retirados do site: www.momento.com.br

 

Foto de Sérgio Avelhaneda

 

 

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