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MANIFESTAÇÃO DO AMOR E O DIA DOS NAMORADOS
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Palestra
adaptada e apresentada por Sérgio Avelhaneda na noite de
11.06.06 na Sociedade Allan Kardec
de Estudos Espíritas de Birigui/SP.
Conta-nos
uma lenda, que existia em um reino muito distante, uma grande quantidade
de terras que se perdiam no horizonte e iam muito além das
montanhas.
Chamava-se
“o reino do coração”. Uma jovem senhora
recebera de Deus a incumbência de cuidar e administrar, como
quisesse, toda aquela imensidão de terras.
Para
se ter uma idéia, ela possuía mais terras do que o
próprio rei.
A jovem senhora sempre soube administrar com maestria todos os setores
do reino do coração que lhe pertenciam.
Era
uma mulher bondosa e, mesmo contra a vontade de muita gente, ela
sempre distribuía alguns hectares de sua propriedade para
as pessoas simples que batiam à sua porta.
As
pessoas pediam para ficar um tempo e acabavam se demorando, se demorando
até se instalarem de vez.
Tudo
corria maravilhosamente bem até que chegou um posseiro e
quis morar nas terras do coração que ela mais gostava:
“as terras da afetividade”.
Aproveitando-se da ausência da senhora, que viajara por algum
tempo, esse posseiro se apoderou do seu recanto mais precioso, onde
ela cultivava as flores da paixão, da cumplicidade, do companheirismo
e de muitas outras flores relacionadas ao sentimento.
Quando ela retornou, ficou bastante surpresa ao ver que aquele forasteiro
havia se instalado ali.
No
entanto, ele não era um forasteiro qualquer, era como um
raio de sol, e ao seu suave toque todas as flores se abriam e começavam
a exalar um perfume inebriante.
Com
a presença daquele homem incomum, o recanto secreto da jovem
senhora se tornou o mais belo de todo o reino.
A
administradora não teve como recusar a permanência
daquele posseiro singular, pois sua presença havia mudado
para sempre os jardins dos seus mais secretos sentimentos...
No
entanto, um dia... um dia que a jovem senhora não mais poderia
esquecer, seu jardim amanheceu sem brilho e sem perfume...
Parecia
que o inverno chegara mais cedo..., e um frio extemporâneo
havia crestado todas flores...
A
dona das terras quis saber o motivo e seu pequeno-grande coração
quase desfaleceu ao saber que seu raio de sol havia partido...
Ela
saiu a buscar por todos os cantos do seu reino, mas não mais
o encontrou.
A
tristeza quis tomar posse do seu recanto precioso, mas ela insistia
em ter de volta o toque suave do seu raio de sol, único capaz
de trazer novamente o viço e o perfume às flores.
No entanto, numa manhã... numa manhã que a jovem senhora
não mais poderá esquecer, seu raio de sol voltou...
mas não voltou para ficar...
Ele
propôs uma condição: poderia apenas visitar
aquele recanto de paz e amor a cada início de primavera,
para beijar todas as flores pelas quais nutria imenso carinho.
Apesar
de sentir-se triste por não ter seu raio de sol em todas
as estações, a jovem senhora aceitou as condições.
E
é assim que a cada início de primavera o raio de sol
beija as flores e elas se abrem, e exalam seu inebriante perfume
como todas as flores cultivadas pelo amor de alguém muito
especial.
Se você também cultiva as flores da paixão e
não tem um raio de sol para beijá-las todas as manhãs,
cultive as flores da afetividade, da amizade, da fraternidade...
E,
se neste dia, dedicado aos namorados, você não tem
ninguém para compartilhar seus sonhos, seus desejos, seus
anseios, abra as portas do reino do coração e libere
as terras onde possa brotar a esperança.
Cultive
a esperança de um dia encontrar, como a jovem senhora da
lenda, um raio de sol que possa aquecer para sempre o seu recanto
de amor.
Demonstrar
o amor é uma forma de deixar a vida transbordar dentro do
próprio coração.
A maioria das pessoas estabelece datas especiais para manifestar
o seu amor pelo outro: é o dia do aniversário, o natal,
o aniversário de casamento, o dia dos namorados.
Para elas, expressar amor é como usar talheres de prata:
é bonito, sofisticado, mas somente em ocasiões muito
especiais.
E alguns não dizem nunca o que sentem ao outro. Acreditam
que o outro sabe que é amado e pronto. Não é
preciso dizer.
Conta um médico que uma cliente sua, esposa de um homem avesso
a externar os seus sentimentos, foi acometida de uma supuração
de apêndice e foi levada às pressas para o hospital.
Operada de emergência, necessitou receber várias transfusões
de sangue sem nenhum resultado satisfatório para o restabelecimento
de sua saúde.
O médico, um tanto preocupado, a fim de sugestiona-la, lhe
disse: pensei que a senhora quisesse ficar curada o mais rápido
possível para voltar para o seu lar e o seu marido.
Ela respondeu, sem nenhum entusiasmo:
O meu marido não precisa de mim. Aliás, ele não
necessita de ninguém. Sempre diz isto.
Naquela noite, o médico falou para o esposo que a sua mulher
não queria ficar curada. Que ela estava sofrendo de profunda
carência afetiva que estava comprometendo a sua cura.
A resposta do marido foi curta, mas precisa:
Ela tem de ficar boa.
Finalmente, como último recurso para a obtenção
do restabelecimento da paciente, o médico optou por realizar
uma transfusão de sangue direta.
O doador foi o próprio marido, pois ele possuía o
tipo de sangue adequado para ela.
Deitado ao lado dela, enquanto o sangue fluía dele para as
veias da sua esposa, aconteceu algo imprevisível.
O marido, traduzindo na voz uma verdadeira afeição,
disse para a esposa:
Querida, eu vou fazer você ficar boa.
Por que? Perguntou ela, sem nem mesmo abrir os olhos.
Porque você representa muito para mim.
Houve uma pausa. O pulso dela bateu mais depressa. Seus olhos se
abriram e ela voltou lentamente a cabeça para ele.
Você nunca me disse isso.
Estou dizendo agora.
Mais tarde, com surpresa, o marido ouviu a opinião do médico
sobre a causa principal da cura da sua esposa.
Não foi a transfusão em si mesma, mas o que acompanhou
a doação do sangue que fez com que ela se restabelecesse.
As palavras de carinho fizeram a diferença entre a morte
e a vida.
É importante saber dizer: amo você! O gesto carinhoso,
a palavra gentil autêntica, a demonstração afetiva
num abraço, numa delicada carícia funcionam como estímulos
para o estreitamento dos laços indestrutíveis do amor.
É urgente que, no relacionamento humano, se quebre a cortina
do silêncio entre as criaturas e se fale a respeito dos sentimentos
mútuos, sem vergonha e sem medo.
A pessoa cuja presença é uma declaração
de amor consegue criar um ambiente especial para si e para os que
privam da sua convivência.
Quem diz ao outro: eu amo você, expressa a sua própria
capacidade de amar, mas também, afirmando que o outro é
amado, se faz amar e cria amor ao seu redor.
A
Comunicação, a arte de falar um com o outro, dizer
o que sentimos e pretendemos, falando com clareza, ouvir o que o
outro fala, deixa-lo certo de que estamos ouvindo é, sem
sombra de dúvida, a habilidade mais essencial para a criação
e a manutenção de um relacionamento amoroso.
A
afirmativa é de Leo Buscaglia, professor de uma universidade
da Califórnia.
Ele
diz que o mais alto nível da comunicação é
o não verbal. O que quer dizer: se você ama, mostre
isto em atitudes. Faça coisas amorosas para o outro. Seja
atencioso. Coloque os seus sentimentos na prática.
Faça
aquela comida favorita. Mande flores. Lembre-se dos aniversários.
Crie os seus próprios feriados de amor. Não espere
pelo dia dos namorados.
E
ele relaciona alguns pontos importantes para que uma relação
a dois se aprofunde e se agigante, vencendo os dias, os meses e
os anos.
Diga
sempre ao outro que o ama, através de suas palavras, suas
atitudes e seus gestos. Não pense que o seu par já
sabe disso. Ele precisa desta afirmação.
Cumprimente
sempre o seu amor pelos trabalhos bem-feitos. Não o deprecie.
Dê o seu apoio quando ele falhar. Pense que tudo o que ele
faz por você, não o faz por obrigação.
E estímulo e elogio asseguram que ele vai repetir a dose.
Quando
você se sentir solitário, incompreendido, deixe-o saber.
Ele se sentirá mais forte por reconhecer que tem forças
para confortar você.
Afinal,
os sentimentos, quando não externados, podem ser destrutivos.
Lembre que, apesar de amá-lo, o outro ainda não pode
ler a sua mente. Não se feche em si mesmo.
Expresse
sentimentos e pensamentos de alegria. Eles dão vida ao relacionamento.
É maravilhoso celebrar dias comuns, datas pessoais, como
o primeiro encontro, o primeiro olhar, o dia da reconciliação
depois de um breve desentendimento.
Dê
presentes de amor sem motivo. Ouça a sua própria voz
a falar de sua felicidade.
Diga
ao seu amor que ele é uma pessoa especial. Não deprecie
os sentimentos dele. O que ele sente ou vê é sua experiência
pessoal, portanto, importante e real.
Abrace
sempre. A comunicação de amor não verbal revitaliza
a relação.
Respeite
o silêncio do seu companheiro. Momentos de quietude também
fazem parte das necessidades espirituais de cada um.
Finalmente,
deixe que os outros saibam que você valoriza a quem ama, pois
é bom partilhar as alegrias de um saudável relacionamento
com os outros.
É
possível que você esteja pensando que todas essas idéias
não são realmente necessárias entre pessoas
que se amam. Elas acontecem de forma espontânea.
Mas,
nem tanto. Nem sempre. São esses vários aspectos da
comunicação que constituem o alicerce de um relacionamento
amoroso saudável. Eles também produzem os sons mais
maravilhosos do mundo. Os sons do amor. Experimente!
Um dos graves problemas da humanidade é o desgosto pela vida.
Em muitas criaturas, nota-se um descaso por este tesouro que se
chama vida.
A prova cabal é o número crescente de suicídios
em todas as camadas sociais, de ambos os sexos e nas mais variadas
idades.
Seria muito importante se começássemos a olhar para
a vida com outros olhos. Se pensássemos, todos os dias, que,
apesar de todas as dificuldades que atravessamos, muitos espíritos
desencarnados gostariam de estar em nosso lugar, aqui, na carne,
usufruindo das bênçãos da existência física.
Melhor ainda se seguíssemos a extraordinária receita
dos bebês, para amar e viver bem cada minuto desta vida.
Primeiro - acordar cantando como as aves que saúdam o novo
dia sempre em festa. Não vale chorar nem acordar a casa toda.
Segundo – espreguiçar-se bastante, antes de se levantar
da cama. Normalmente, acordamos em sobressalto, pulamos da cama
e nos envolvemos com as tarefas, sem ao menos gozar deste prazer
de se alongar, esticar, sentir as pernas, os braços, o corpo
todo.
Terceiro – pegar todo dia o “solzinho” da manhã,
de preferência acordando mais cedo para uma caminhada sem
pressa. Uma caminhada que não vise somente o exercício
recomendado pelo médico, mas andar e respirar com vagar o
ar da manhã que se espreguiça.
Uma caminhada onde os nossos olhos se encham com a radiosidade do
sol que desponta e das flores que se abrem, nas praças, lançando
perfumes.
Quarto - mostrar para quem amamos que eles são muito importantes
para nós. Estender os braços, abraçar, sentir
o calor do outro e dizer com todas as letras: bom dia!
Quinto - pedir “colinho”, sempre que possível.
Quantas vezes nos sentimos carentes, isolados e não nos encorajamos
a pedir ao nosso amor: “abrace-me. Beije-me. Preciso de você.”
E, é claro, não esquecer que às vezes, precisamos
dar “colinho” também.
Sexto - não se importar com as pessoas que não gostam
de criança, de flor e de nós. Não se permitir
a mágoa. Elas têm o direito de não gostar de
nós, o que não quer dizer que não sejam criaturas
boas, úteis a outras tantas pessoas que nos amam.
Sétimo – fazer primeiro, para receber depois, muito
dengo e carinho. Não esperar o dia dos namorados, do aniversário,
da criança para demonstrar atenção. Todo dia
é um dia especial para se comemorar o amor. Que tal hoje?
Oitavo - dar atenção a todos os que se aproximam de
nós, mesmo àqueles a quem acabamos de conhecer. Toda
criatura traz em si um potencial positivo que nos cabe descobrir
e cultivar.
Nono - adorar ouvir o que as pessoas que a gente ama falam e respeitar
o que fazem.
Décimo - sorrir para todos e para a gente mesmo. Rir muito,
todos os dias, sempre que não tiver um justo motivo para
chorar...
A vida é um poema de amor e beleza esperando por nós.
É um patrimônio por demais precioso para ser desprezada,
não importando as circunstâncias ou as dores.
Pense que a vida que você desfruta é o hálito
do Pai Criador em sua soberana manifestação de amor
por você.
Ele
era um garoto triste. Procurava estudar muito. Na hora do recreio
ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma
coisa.
Todos os outros meninos zombavam dele, por causa das suas meias
vermelhas.
Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele só usava
meias vermelhas. Ele falou, com simplicidade: “no ano passado,
quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo.
Colocou em mim essas meias vermelhas. Eu reclamei. Comecei a chorar.
Disse que todo mundo iria rir de mim, por causa das meias vermelhas.
Mas ela disse que tinha um motivo muito forte para me colocar as
meias vermelhas. Disse que se eu me perdesse, bastaria ela olhar
para o chão e quando visse um menino de meias vermelhas,
saberia que o filho era dela.”
“Ora”, disseram os garotos. “mas você não
está num circo. Por que não tira essas meias vermelhas
e as joga fora?”
O menino das meias vermelhas olhou para os próprios pés,
talvez para disfarçar o olhar lacrimoso e explicou: “é
que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora. Por
isso eu continuo usando essas meias vermelhas. Quando ela passar
por mim, em qualquer lugar em que eu esteja, ela vai me encontrar
e me levará com ela.”
Muitas almas existem, na Terra, solitárias e tristes, chorando
um amor que se foi. Colocam meias vermelhas, na expectativa de que
alguém as identifique, em meio à multidão,
e as leve para a intimidade do próprio coração.
São crianças, cujos pais as deixaram, um dia, em braços
alheios, enquanto eles mesmos se lançaram à procura
de tesouros, nem sempre reais.
Lesadas em sua afetividade, vivem cada dia à espera do retorno
dos amores, ou de alguém que lhes chegue e as aconchegue.
Têm sede de carinho e fome de afeto. Trazem o olhar triste
de quem se encontra sozinho e anseia por ternura.
São idosos recolhidos a lares e asilos, às dezenas.
Ficam sentados em suas cadeiras, tomando sol, as pernas estendidas,
aguardando que alguém identifique as meias vermelhas.
Aguardam gestos de carinho, atenções pequenas. Marcam
no calendário, para não se perderem, a data da próxima
visita, do aniversário, da festividade especial.
Aguardam...
São homens e mulheres que se levantam todos os dias, saem
de casa, andam pelas ruas, sempre à espera de alguém
que partiu, retorne.
Que o filho que tomou o rumo do mundo e não mais escreveu,
nem deu notícia alguma, volte ao lar.
São namorados, noivos, esposos que viram o outro sair de
casa, um dia, e esperam o retorno.
Almas solitárias. Lesadas na afetividade. Carentes.
Pense nisso!
O amor, sem dúvida, é lei da vida. Ninguém
no mundo pode medir a resistência de um coração
quando abandonado por outro.
E nem pode aquilatar da qualidade das reações que
virão daqueles que emurchecem aos poucos, na dor da afeição
incompreendida.
Todos devemos respeito uns aos outros. Somos responsáveis
pelos que cativamos ou nos confiam seus corações.
Se alguém estiver usando meias vermelhas, por nossa causa,
pensemos se esse não é o momento de recompor o que
se encontra destroçado, trabalhando a terra do nosso coração.
E também tem gente louco pra tirar as meias vermelhas e se
separem de seus companheiros, sente-se saturados da relação
existente e estão querendo a separação.
Conta-se que o dono de um pequeno comércio, amigo do grande
poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua e lhe falou: Sr. Bilac, estou
precisando vender o meu sítio, que o senhor conhece tão
bem. Poderia redigir um anúncio para o jornal?
Olavo Bilac, muito solícito, apanhou um papel e escreveu:
Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros
ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes
águas de um ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente
oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda.
Meses depois, o poeta topa com o homem e pergunta-lhe se havia vendido
o sítio.
Nem pensei mais nisso, disse o amigo. Quando li o anúncio
é que percebi a maravilha que tinha.
Às vezes, para que possamos reconhecer o valor dos tesouros
que possuímos, é preciso que alguém nos abra
os olhos. E isso não acontece somente com relação
aos bens materiais, mas também no campo afetivo.
Talvez motivados pela rotina ou pela acomodação, passamos
a observar apenas as manias ou os pequenos defeitos daqueles que
convivem conosco, esquecendo-nos das qualidades boas que eles possuem.
Não é raro alguém de fora nos surpreender com
uma lista de virtudes dos nossos filhos, que passam despercebidas
aos nossos olhos.
Ou, então, um colega que elogia nosso esposo ou esposa ressaltando
qualidades que não estamos percebendo.
Esposas que criticam o marido porque ele não abre a porta
do carro para ela, não puxa a cadeira para ela se sentar,
esquece o aniversário de casamento, não lhe oferece
flores no dia dos namorados...
Essas esposas não levam em conta que aquele mesmo homem é
um pai carinhoso, dedicado, é trabalhador, honesto, e sempre
que ela precisa, ele está por perto para ajudar.
Há maridos que desvalorizam suas esposas porque nem sempre
estão em dia com a moda, porque os cabelos brancos não
estão bem camuflados, porque não lhe dão atenção
integral quando dela necessitam...
Esses esposos certamente não se dão conta do valor
que essas mulheres têm. Não percebem quantas noites
elas são capazes de passar acordadas, vigiando o filho doente,
e enfrentar dias inteiros de trabalho exaustivo, sem reclamar.
Não se dão conta de que essas mulheres, tantas vezes,
fazem verdadeiros malabarismos financeiros para poupar o marido
de saber que o dinheiro do mês foi curto.
Mães e pais que criticam os filhos porque não atendem
a todos os seus caprichos, ou porque nem sempre fazem as coisas
como lhes determinam, esquecidos de que esses garotos e garotas
têm muito valor.
São jovens que prezam pela fidelidade, que respeitam opiniões
contrárias, que valorizam a família, que se dedicam
a causas nobres, jovens saudáveis e cidadãos de bem.
Assim, não façamos como o comerciante que queria vender
seu sítio, e ao ler o anúncio redigido por alguém
de fora, mudou de idéia.
Tenhamos, nós mesmos, olhos de ver, ouvidos de ouvir e sensibilidade
para sentir as boas qualidades e as virtudes daqueles que nos seguem
mais de perto.
Você sabia?
Você sabia que há pessoas que nem sempre conseguem
demonstrar seus verdadeiros sentimentos?
Talvez por medo de uma decepção ou por timidez, escondem-se
atrás de uma couraça de proteção que
as faz sentir-se mais seguras.
E essa forma de isolar-se, muitas vezes pode aparecer disfarçada
de agressividade ou de comportamento anti-social.
É por essa razão que precisamos desenvolver nossa
capacidade de penetrar os sentimentos das pessoas, um pouco além
das aparências.
Certa vez eu andando por um caminho reparei que não estava
sozinho.
Duas pessoas seguiam a nossa frente. Passo lento, cadenciado. Mãos
dadas. As cabeças nevadas e a lentidão do passo lhes
denunciavam a idade avançada.
Um homem. Uma mulher. Um casal de velhos. De mãos dadas,
enamorados. As mãos seguravam firme, como a dizer que um
se constituía no apoio do outro. Assim no físico,
assim no afeto.
Ficamos a imaginá-los, na esteira do tempo, jovens, rindo
e correndo pelo parque, sob as bênçãos do sol.
Brincando no lago, jogando água um no outro, gargalhando.
Pudemos quase vê-los de forma nítida abraçados,
quietos, olhando enlevados o concerto da primavera em flor, mãos
entrelaçadas, cabeças apoiadas, tecendo sonhos e fantasias.
Terão imaginado quiçá que alcançariam
esta idade, unidos?
São eles mesmos. Atravessaram os anos e prosseguem apaixonados.
Casaram, tiveram filhos, passaram as mil dificuldades de educar,
instruir e amar a prole, renunciando muito a benefício deles.
Quando os filhos se foram, um a um, como aves de arribação,
deixando o ninho para construir o seu próprio e eles ficaram
sós, souberam retomar o enlevo dos primeiros dias.
O segredo dessa união sólida? O amor. Só o
amor tem o poder de atravessar os anos e se tornar mais intenso.
Só ele pode enfrentar com dignidade o encarquilhar das mãos,
o aparecimento das rugas, o andar mais demorado.
Somente ele, porque possui lentes especiais, que transcendem o físico
e alcançam a alma.
Relação assim regida prossegue para além da
vida corpórea. Um parte como flor que fenece ao vento gélido
e fica aguardando o outro.
Enquanto espera o amado, a sua é a tarefa de amparar, zelar
pelo que ficou nas estradas do mundo. Nas noites solidão,
fala-lhe à intimidade do logo mais e insufla-lhe coragem
para não se abater ante os percalços que lhe faltam
vencer.
Aguarda-o, no mundo espiritual, como o noivo espera a amada, em
dia festivo. E quando finalmente chega o dia da partida, prepara-lhe
a chegada e o retoma nos braços em suave amplexo demonstrando
que o amor vence a dor, o sofrimento e a morte.
Muitas almas que assim se amam, na terra, intensamente, retornam
mais tarde, em nova roupagem, novamente unidos e porque amam verdadeiramente,
unem-se outra vez para idealizar grandes coisas a bem da comunidade.
É desta forma que encontramos casais unidos na ciência,
na arte, na devoção ao semelhante, doando-se muito
além do dever.
Tendo vivido o amor na sua essência mais profunda aprenderam
que quanto mais ele se divide, mais se multiplica.
Vocês sabiam que a senhora Kardec, esposa do codificador do
espiritismo, após a morte dele viveu ainda por 14 anos?
Enquanto ele viveu, ela lhe foi sempre a companheira fiel de todas
as horas, em todas as suas atividades, fossem as pedagógicas
ou as dedicadas à doutrina espírita.
Desencarnou idosa, aos 87 anos, lúcida e ativa, devotada
à causa do espiritismo.
Façamos também a nossa parte para que haja mais amor
em nosso planeta, começando por cultivar o amor em nossos
corações.
Bibliografia:
Adaptação para palestra feita com textos retirados
do site: www.momento.com.br
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