AS MUDANÇAS NA VISÃO ESPÍRITA

Palestra adaptada e apresentada por Sérgio Avelhaneda no Centro Espírita “Dr. Bezerra de Menezes” de Araçatuba/SP em 07.06.2006.

Era uma vez um rei que governava um próspero país. Um dia ele resolveu conhecer algumas áreas distantes de seu país.
Por vários dias ele percorreu grande extensão de estradas. Mas quando retornou ao seu palácio, chamou seus súditos e reclamou que seus pés estavam feridos e doíam muito.
Afinal, era a primeira vez que ele fazia uma viagem tão longa por estradas tão ásperas e cheias de pedregulhos.
Pensou numa maneira de resolver o problema e logo teve uma idéia. Ordenou que seus servos recobrissem todas as estradas do seu país com couro. Seria uma obra muito cara, pois custaria a vida de milhares de vacas e bois.
Então, um dos mais sábios entre os servos ousou fazer uma sugestão ao rei dizendo-lhe:
- Por que o rei tem que gastar essa enorme quantia de dinheiro? Não seria mais prático e mais barato mandar cortar um pequeno pedaço de couro para cobrir seus pés?
O rei ficou surpreso, mas aceitou a sugestão. Mandou cortar um pedaço de couro e fazer uma proteção para seus pés, a fim de evitar os ferimentos nas próximas viagens.
Às vezes nós também costumamos ter idéias semelhantes à do rei, tentando resolver os problemas da maneira mais difícil.
Quando estamos insatisfeitos com o mundo, nós muitas vezes desejamos mudar o mundo primeiro, em vez de efetuar as mudanças necessárias em nós mesmos.
Movidos pelo desejo de pavimentar estradas sem espinhos nem obstáculos, esquecemos das proteções que devemos construir na intimidade da própria alma, e queremos mudar a situação ao redor a todo custo.
Se não desejamos sofrer os ferimentos da vaidade, é preciso recobrir a alma com a proteção da modéstia.
Se queremos evitar os pedregulhos do orgulho, é necessário proteger a alma com o algodão da humildade.
Se não desejamos sofrer a dor provocada pelos espinhos do egoísmo, busquemos desenvolver a couraça da fraternidade.
Se a situação ao redor nos desagrada e nos fere com freqüência, o melhor a fazer é buscar a reformulação dos próprios atos, na certeza de que não precisamos mudar o mundo, mas efetuar as reformas necessárias em nosso comportamento, em nossa forma de ser.
A melhor maneira de nos proteger dos pedregulhos da caminhada, evitando os ferimentos, é revestir a alma com o couro da verdadeira caridade, entendendo que o mais infeliz é sempre aquele que fere, aquele que ofende.
Jesus, o Sublime Galileu, experimentou todo tipo de agressão e, no entanto, nunca perdeu a serenidade e foi sempre o vitorioso. Que importava se o mundo exterior era cheio de pedregulhos e espinhos se Sua alma estava revestida de paz e confiança em Deus?
Jesus, mesmo sendo o Espírito mais sábio de que se teve notícias, jamais desejou mudar o mundo, mas deixou sempre o convite para todos aqueles que querem seguir a Sua trilha. A trilha que conduz à felicidade plena, acima das imperfeições deste mundo.
Assim, se você está indignado com a situação a sua volta e deseja mudar o mundo, lembre-se que isso só será possível começando por mudar-se a si mesmo.

E tenha a certeza que toda mudança exige esforços e uma grande dose de coragem.
A maioria de nós prefere criticar os outros e responsabilizá-los pelo que não está certo.
No entanto, às vezes é preciso um auto-enfrentamento com toda sinceridade a fim de repensar atitudes e tomar decisões importantes para o próprio crescimento.
O que não devemos esquecer jamais, é que somos espíritos milenares e que trazemos uma grande soma de experiências e hábitos adquiridos ao longo da caminhada evolutiva.
E precisamos admitir a hipótese de que somos os construtores da própria infelicidade de hoje, graças aos hábitos dos quais não queremos abrir mão.
E se assim é, se desejamos alcançar a felicidade almejada, é preciso despojar-nos do manto escuro das imperfeições que nos pesa nos ombros, a fim de que possamos alcançar o vôo definitivo em direção à luz.


Você já viajou de trem alguma vez?

Numa viagem de trem podemos notar uma grande diversidade de situações, ao longo do percurso.

E a nossa existência terrena, bem pode ser comparada a uma dessas viagens, mais ou menos longa.

Primeiro, porque é cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em algumas partidas.

Quando nascemos, entramos no trem e nos deparamos com algumas pessoas que desejamos que estejam sempre conosco: são nossos pais.

Infelizmente, isso não é verdade; em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituíveis...

Mas isso não impede que durante a viagem outras pessoas especiais embarquem para seguir viagem conosco: são nossos irmãos, amigos, amores.

Algumas pessoas fazem dessa viagem um passeio. Outras encontrarão somente tristezas, e algumas circularão pelo trem, prontas a ajudar a quem precise.

Muitas descem e deixam saudades eternas... Outras passam de uma forma que, quando desocupam seu acento, ninguém percebe.

Curioso é constatar que alguns passageiros, que nos são caros, se acomodam em vagões distantes do nosso, o que não impede, é claro, que durante o percurso nos aproximemos deles e os abracemos, embora jamais possamos seguir juntos, porque haverá alguém ao seu lado ocupando aquele lugar.

Mas isso não importa, pois a viagem é cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas...

O importante, mesmo, é que façamos nossa viagem da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com os demais passageiros, vendo em cada um deles o que têm de melhor.

Devemos lembrar sempre que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisemos entendê-los, porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, certamente, haverá alguém que nos entenda e atenda.

A grande diferença, afinal, é que no trem da vida, jamais saberemos em qual parada teremos que descer, muito menos em que estação descerão nossos amores, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.

É possível que quando tivermos que desembarcar, a saudade venha nos fazer companhia...

Porque não é fácil nos separar dos amigos, nem deixar que os filhos sigam viagem sozinhos. Com certeza será muito triste.

No entanto, em algum lugar há uma estação principal para onde todos seguimos...
E quando chegar a hora do reencontro teremos grande emoção em poder abraçar nossos amores e matar a saudade que nos fez companhia por longo tempo...

Que a nossa breve viagem seja uma grande oportunidade de aprender e ensinar, entender e atender aqueles que viajam ao nosso lado, porque não foi o acaso que os colocou ali.

Que aprendamos a amar e a servir, compreender e perdoar, pois não sabemos quanto tempo ainda nos resta até à estação onde teremos que deixar o trem.


Se a sua viagem não está acontecendo exatamente como você esperava, dê a ela uma nova direção.

Se é verdade que você não pode mudar de vagão, é possível mudar a situação do seu vagão.

Observe a paisagem maravilhosa com que Deus enfeitou todo o trajeto...

Busque uma maneira de dar utilidade às horas. Preocupe-se com aqueles que seguem viajem ao seu lado...

Deixe de lado as queixas e faça algo para que a sua estrada fique marcada com rastros de luz...

Pense nisso... E, boa viagem!


O que fazer quando o adolescente é rebelde e raivoso? O que dizer quando o adolescente não deseja ouvir?
A adolescência é um período de muita contestação. O adolescente tende a rejeitar tudo que não corresponda à sua idéia de mundo.
Alguns ficam irritados com qualquer manifestação pública de amor, por parte dos pais para com ele.
Mike era um desses. A simples menção da palavra amor o deixava irritado.
Num dia difícil, ele entrou em seu quarto como um furacão, bateu na porta e se jogou na cama.
Ali estirado, escorregou as mãos por baixo do travesseiro, encontrou um envelope, com a seguinte recomendação: “para ler quando estiver sozinho.”
Como ninguém iria saber mesmo se ele lera ou não, ele abriu e leu.
“Mike, sei que a vida está dura agora. Sei que você se sente frustrado e que, apesar da nossa boa intenção, nem tudo que fazemos é certo.
Mas sei principalmente que amo você demais e nada do que você faça ou diga vai mudar isso. Nunca. Estou aqui para conversar, se você precisar. E, se não precisar, tudo bem.
Saiba que não importa aonde você vá ou o que você faça na vida, sempre vou amá-lo e sentir orgulho de tê-lo como filho.
Estou aqui por você e o amo. Isso não vai mudar nunca. Com amor. Mamãe.”
Aquela foi a primeira de muitas cartas. Ele nunca falou a respeito delas para a mãe, até se tornar um adulto.
Mas, nos dias atribulados da adolescência, as cartas eram a garantia silenciosa de que ele era amado, incondicionalmente, apesar de tudo.
Essa gratuidade do amor de sua mãe o ajudou a superar as crises e revoltas da adolescência, fazendo vir à tona o que ele tinha de melhor.
O seu agradecimento a Deus se fez presente mais tarde. Agradecimento pela mãe que teve a sabedoria de discernir o que aquele adolescente raivoso precisava.
Por ela ter persistido, apesar do seu silêncio e da sua aparente indiferença.
Ainda hoje, quando os mares da vida se tornam revoltos, Mike lembra que a segurança de um amor consistente, durável, incondicional, é capaz de mudar uma vida.”
***
O adolescente que rejeita tudo que lhe ofertam é, quase sempre, o espírito rebelde que necessita de maior dose de amor e compreensão.
Rebela-se ao amor porque teme a ele se entregar. Talvez, porque a mensagem que traga na intimidade, de existências passadas, lhe aponte forte desilusão ou traição de afetos, em passado não distante.
Rebela-se aos bons conselhos porque guarda dentro d'alma a certeza de que deve modificar sua conduta, e não o deseja fazer, ansioso por prosseguir em caminhos tortuosos, percorridos em experiências anteriores.
O adolescente é alguém que se encontra em um ponto nevrálgico de sua jornada. Necessita abandonar a infância e se defronta com as posturas do homem velho, que, como espírito imortal, traz como herança de si mesmo.
Espíritos orientadores recomendam:
Ama esse ser e ampara-o .
Esclarece-o, mesmo que pareça desdenhar as palavras dignas.
Envolve-o na tua oração de pai ou mãe amorosa e dedica-te, guardando a certeza de que Deus que por ti vela, também haverá de iluminar as veredas do teu filho.
Não desistas nunca da sua orientação porque dia virá em que ele te haverá de agradecer a persistência e a dedicação.
E, então, poderás observar que ele estará ofertando à sociedade o que o teu amor e a tua perseverança nele semearam de melhor.
Alguém já disse isso, e eu não me lembro agora quem foi, mas me lembro da frase escrita em forma de pensamento:
“A melhor herança que os pais podem dar a seus filhos é a dedicação de alguns minutos de seu tempo, todos os dias.”

Antigamente, por defeito de fabricação, os pregos saiam da fábrica com um apêndice, um pequeno bico ou rebarba que atrapalhava seu uso na fixação de madeiramentos em construções.
Essa pequena rebarba fazia com que ele se entortasse na hora em que usado pelo carpinteiro. E alguém foi lá na fábrica reclamar e colocou o problema em questão: Aquela rebarba tinha que ser tirada para que somente a ponta ficasse.
E os antigos fabricantes solucionaram a questão colocando todos os pregos com rebarba numa grande panela que era chacoalhada por algum tempo e nesse movimento vibratório em que os pregos se chocavam um com os outros eles perdiam o apêndice indesejado.
E assim com o atrito esse problema foi resolvido.

Então posso dizer que:

Se Ninguém muda ninguém;

E ninguém muda sozinho;

Como é e quando é que mudamos, então?


A resposta é simples, mas profunda e certeira:

Nós mudamos nos encontros.

É nos relacionamentos que nos transformamos.

Somos transformados a partir dos encontros, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados pela idéia e sentimento do outro.

Você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio, e as pedras que estão em sua foz?

As pedras na nascente são toscas, pontiagudas, cheias de arestas.

À medida que elas vão sendo carregadas pelo rio sofrendo a ação da água e se atritando com as outras pedras, ao longo de muitos anos, elas vão sendo polidas, desbastadas.

Assim também agem nossos contatos humanos.

Sem eles, a vida seria monótona, árida.

A observação mais importante é constatar que não existem sentimentos, bons ou ruins,
sem a existência do outro, sem o seu contato.

Passar pela vida sem se permitir um relacionamento próximo com o outro, é não crescer, não evoluir, não se transformar.

É começar e terminar a existência com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.

Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser várias marcas de pessoas extremamente importantes.

Pessoas que, no contato com elas, me permitiram ir dando forma ao que sou, eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor, mais suave, mais harmônico, mais integrado.

Outras, sem dúvidas, com suas ações e palavras me criaram novas arestas, que precisaram ser desbastadas.

Mas isso faz parte...

São derrotas momentâneas, são apenas batalhas que perdi, mas ainda não perdia a guerra.
Essas feridas da alma servem para o crescimento.

A isso chamamos experiência.
Penso que existe algo mais profundo, ainda nessa análise.
Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheia de excessos.

Os seres de grande valor percebem que ao final da vida, foram perdendo todos os excessos
que formavam suas arestas, se aproximando cada vez mais de sua essência, e ficando cada vez menores, menores, menores...

Quando finalmente aceitamos que somos pequenos, ínfimos, dada a compreensão da existência e importância do outro, e principalmente da grandeza de Deus, é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

Quem já viu o tamanho do diamante polido, lapidado?
Sabemos quanto se tira de excesso para chegar ao seu âmago.

É lá que está o verdadeiro valor...

Pois, Deus fez a cada um de nós com um âmago bem forte e muito parecido com o diamante bruto,constituído de muitos elementos, mas essencialmente de amor.

Deus deu a cada um de nós essa capacidade, a de amar...

Mas temos que aprender como !!!!!?????

Para chegarmos a esse âmago, temos que nos permitir, através dos relacionamentos,
ir desbastando todos os excessos que nos impedem de usá-lo, de fazê-lo brilhar.

Por muito tempo em minha vida acreditei que amar significava evitar sentimentos ruins.
Não entendia que ferir e ser ferido, ter e provocar raiva, ignorar e ser ignorado faz parte da construção do aprendizado do amor.

Não compreendia que se aprende a amar sentindo todos esses sentimentos contraditórios e...
os superando.

Ora, esses sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento...

E envolvimento gera atrito.

Minha palavra final:

ATRITE-SE!

Isso quer dizer que devemos conviver, nos relacionar uns com os outros!

Não existe outra forma de descobrir o amor.

E sem o amor a vida não tem significado.

Pensem nisso, e MUITO OBRIGADO!

SÉRGIO AVELHANEDA

Palestra feita através de adaptação de textos extraídos do site:
www.momento.com.br





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