NÓS E NOSSAS PRECES
Palestra adaptada e apresentada por Sérgio Avelhaneda
no Centro Espírita “Dr. Raymundo Mariano Dias”
de Birigui/SP em 7.7.06


Será que Deus atende mesmo a todas as orações? Jesus nos afirmou que tudo o que pedíssemos ao pai em seu nome, ele nos concederia.
Mesmo assim, a debilidade da nossa fé, vez ou outra, faz com que nos perguntemos: atenderá verdadeiramente?
Afinal, quantos de nós já formulamos rogativas ao Criador, que jamais foram atendidas?
Haverá algum detalhe que nos escape e que, assim sendo, nos credencie a sermos atendidos por Deus ?
Os mais extremistas, até revoltados, ante seus problemas não solucionados pela divindade, chegam a admitir a parcialidade divina que atende a uns, em detrimento de outros.
Contudo, assim não é. Ocorre que, vezes inúmeras, não nos apercebemos que Deus nos responde, embora nem sempre da exata forma que desejaríamos.
Mas, com certeza, sempre é o melhor que o pai dispõe.
Recordamo-nos de um soldado americano, ferido durante a Guerra civil.
Após o ferimento, seguiram-se meses e meses de sofrimentos. O sofrimento atingiu o auge ao se dar conta que se tornara um deficiente físico.
A radical transformação em sua vida abriu-lhe, no entanto, inusitados horizontes que ele sintetizou em uma oração.
Oração que talvez se constitua em uma das mais belas páginas escritas por um deficiente físico.
Conforme a tradução livre, do original inglês, diz ele:

Pedi a Deus que me desse força, para tudo conseguir...
Fui feito fraco para aprender a obedecer.
Pedi a Deus por saúde, para realizar coisas grandiosas...
Fui feito doente para realizar coisas difíceis.
Pedi a Deus por riquezas, para comprar felicidade...
Fui feito pobre, para vender sabedoria.
Pedi a Deus que me concedesse poder, para que os homens necessitassem de mim...
Fui feito insignificante, para sentir a necessidade de Deus ...
Pedi a Deus por tudo isso, para poder gozar a vida...
Foi me dada a vida para poder avaliar seu gozo.
Não recebi nada do que pedi mas obtive tudo aquilo de que necessitava.
A despeito dos meus erros, as preces que não fiz foram atendidas.
E, dentre todos os homens, eu me considero o mais ricamente abençoado.


O entendimento do soldado ferido que se tornou um paralítico anônimo nos dá a tônica de como Deus ouve nossas preces e as atende, sempre de acordo com o que seja melhor para nós.
Afinal, muitas vezes passamos a valorizar as pequeninas e preciosas coisas da vida, quando elas nos são retiradas.

Quantas vezes você já dirigiu uma prece a Deus e não recebeu resposta?
Não é raro pedirmos pela recuperação da saúde de um familiar, e mesmo assim ele morre.
Acreditamos que Deus não nos ouviu.
Pedimos auxílio ao Pai celestial para as nossas dores. E muitas vezes as dores aumentam, levando-nos quase ao desespero.
No entanto, os que têm fé afirmam que Deus sempre responde às nossas orações. Será mesmo?
Emy tinha apenas 3 anos de idade. Vivia em um lugar maravilhoso dos estados unidos, em frente ao mar.
Sua família era cristã. Ela fora alimentada, desde o berço, por orações e Evangelho.
A família ia ao templo religioso e fazia, no lar, o estudo sistemático do Evangelho.
Emy amava sua família e admirava os olhos azuis de seu pai, de sua mãe e de seus irmãos.
Todos, em sua casa, tinham olhos azuis. Todos... menos Emy!
O sonho de Emy era ter olhos azuis da cor do céu. Como ela desejava isso!
Certo dia, na escola de evangelização, ela ouviu a orientadora dizer que Deus sempre responde a todas as orações. Passou o dia pensando nisso.
À noite, na hora de dormir, ajoelhou ao lado da sua cama e orou.
Sua prece foi um misto de gratidão e de solicitação: “Senhor Deus, agradeço porque você criou o mar que é tão grande. Tão bonito e tão feroz. Agradeço pela minha família. Agradeço pela minha vida. Gosto muito de todas as coisas que você faz. Mas, eu gostaria de pedir, por favor, quando eu acordar amanhã, descobrir que os meus olhos ficaram azuis como os de minha mãe.”
Ela acreditou que daria certo. Teve fé. A fé pura e verdadeira de uma criança.
Pela manhã, ao acordar, correu para o espelho e olhou. Abriu bem os olhos e qual era a cor deles?
Bem castanhos! Como sempre haviam sido.
Bom, naquele dia, Emy aprendeu que “não” também era resposta. Do mesmo modo, agradeceu a Deus. Mas não entendia muito bem porque ele não a atendeu.
Os anos se passaram. Emy cresceu e se tornou missionária, na índia.
Entre outras atividades, ela se devotou a resgatar crianças que eram vendidas pelas suas próprias famílias, que passavam fome.
Para isso, ela precisava entrar nos mercados infantis, onde aconteciam as vendas.
Naturalmente, para as comprar para Deus, como dizia, precisava não ser reconhecida como estrangeira.
Então ela passava pó de café na pele, cobria os cabelos, vestia-se como as mulheres do local.
Desta forma, entrava nos mercados de crianças, podendo transitar tranqüila, pois aparentava ser uma indiana.
Certo dia, uma amiga olhou para ela disfarçada e lhe disse: Puxa, Emy! Você já pensou como faria para se disfarçar se tivesse olhos claros como todos os de sua família?
Que Deus inteligente, não? Ele deu a você olhos escuros, pois sabia que isso seria essencial para a missão que lhe confiou.
O que a amiga não sabia é que Emy chorou muitas noites, em sua infância, por não ter olhos azuis...


Deus está no controle de tudo. Ele conhece cada lágrima que já rolou dos seus olhos.
Ele sabe que talvez você desejasse olhos de outra cor, ou cabelos mais lisos, ou encaracolados, ou mais espessos.
Não chore se os seus olhos continuam castanhos ou azuis, ou pretos, e você os deseja de outra cor.
Não se entristeça se você ainda não foi atendido como gostaria.
Tenha certeza: Deus tem o controle de tudo.
E o “não” de Deus, hoje, em sua vida, é o melhor para você.

Um homem ficou muito enfermo e sua filha, preocupada, pediu a um amigo que fosse conversar com ele.
Ela sabia que o pai precisava muito de orações e como não o via orando, pediu ao seu amigo que o visitasse e orasse com ele.
Quando o amigo entrou no quarto, encontrou o pobre homem deitado, com a cabeça apoiada num par de almofadas.
Havia uma cadeira ao lado da cama, fato que levou o visitante a pensar que o homem estava aguardando a sua chegada.
“Você estava me esperando?” – perguntou.
“Não. Por que?”, respondeu o homem enfermo.
“Sou amigo de sua filha. Ela pediu-me que viesse orar com você. Quando entrei e vi a cadeira vazia ao lado da sua cama, imaginei que soubesse que eu viria visitá-lo.”
“Ah, sim, a cadeira... Você não se importaria de fechar a porta?”
O visitante se ergueu e fechou a porta. O doente então lhe confidenciou:
“Nunca contei isto para ninguém. Passei toda a minha vida sem ter aprendido a orar. Quando entrava em alguma igreja e ouvia falarem a respeito da oração, de como se deve orar e os benefícios que recebemos através dela, não queria saber de orações.”
As informações entravam por um ouvido e saíam por outro. Eu achava tudo sem sentido.
Assim sendo, não tinha a mínima idéia de como se deve orar. Então, nunca me dispus a fazer uma prece.
Alguns anos atrás, quando a doença começou a se manifestar em meu corpo, conversando com meu melhor amigo, ele me disse:
Amigo, orar é simplesmente ter uma conversa com Jesus e isto eu sugiro que você não deixe de fazer. Vou lhe ensinar um método bem simples.
Você se senta numa cadeira e coloca outra cadeira vazia na sua frente. Em seguida, com muita fé, você imagina que Jesus está sentado nela, bem diante de você. E não pense que isto é loucura, pois ele próprio prometeu que estaria sempre conosco.
Portanto, você deve falar com ele e escutá-lo, da mesma forma como está fazendo comigo agora.
Achei aquilo muito interessante. Minha resistência foi sendo vencida e decidi experimentar. Senti-me meio sem jeito, da primeira vez, mas um grande bem estar me encheu a alma.
Desde então, tenho conversado com Jesus todos os dias. Tenho sempre muito cuidado para que a minha filha não me veja, pois tenho medo que se ela souber que fico falando desta maneira, me interne em uma casa para doentes mentais.”
O visitante sentiu uma grande emoção ao ouvir aquilo. Aquele homem tinha muitas dificuldades para orar e alguém, de uma maneira bem psicológica, lhe ensinara um método para vencer a muralha que parecia intransponível.
Juntos, ali mesmo, oraram, e depois o visitante se foi. Dois dias mais tarde, a filha lhe comunicou que seu pai havia morrido.
E narrou da seguinte forma: “quando eu estava me preparando para sair, ele me chamou ao seu quarto. Disse que me amava muito e me deu um beijo.”
Quando eu voltei do mercado, uma hora mais tarde, já o encontrei morto. Porém, há algo de estranho em relação à sua morte. Aparentemente, antes de morrer, ele chegou perto da cadeira que estava ao lado da cama e recostou a cabeça nela. Foi assim que eu o encontrei.”


Na oração, o sentimento é tudo. O divino mestre sempre se fez presente ao lado dos simples e dos necessitados.
Ao nos ensinar uma fórmula para orar, ofereceu-se como intermediário entre Deus e os homens.
Desta forma, se o seu coração está ferido, se você se sente sozinho, comece hoje a orar a Jesus.

Um enorme transatlântico partiu de movimentado porto rumo a outro continente. Do convés, os passageiros acenavam lenços e agitavam mãos, em manifestações de adeuses.
No porto, muitas pessoas acenavam igualmente e lançavam beijos ao ar, num misto de antecipada saudade e carinho.
Pouco depois os que se encontravam no convés, ainda observando os que permaneciam em terra, puderam constatar uma nuvem de gaivotas prateadas acompanhando o imenso navio.
O seu vôo atraiu a atenção de quase todos, tanto pela algazarra que promoviam, quanto pelo capricho de suas voltas, ao redor da enorme máquina concebida pelo homem.
Passada uma meia hora de viagem, o tempo se tornou ameaçador. Ondas de espuma se levantavam ao açoitar dos ventos violentos.
Esboçou-se no firmamento uma tremenda tempestade. Com suas possantes máquinas, o navio cortava as vagas agitadas e parecia fazê-lo com dificuldade, dada a presença dos elementos da natureza em convulsão.
Um dos poucos viajantes que até então permanecia no tombadilho, contemplou as aves a voejar e as lastimou.
Como podiam elas, com suas asas tão débeis lutar contra o tufão, desamparadas nos céus? Elas nada tinham além do próprio corpo para o enfrentar.
Suas asas resistiriam ao vento implacável, se o possante navio, com suas máquinas que representam milhares de cavalos resistia com dificuldade ao tempo torrencial?
De repente, aquele homem que estava tão compadecido das avezinhas do mar, ficou perplexo. É que as pequenas gaivotas, estendendo as asas que Deus lhes deu abandonaram o navio na tempestade e se ergueram acima da tormenta, passando a voar numa região serena dos ares.
E a máquina, representando a ciência humana, prosseguiu na sua luta penosa para resistir à fúria dos elementos.
Em nossas vidas ocorre de forma semelhante. Quando pretendemos lutar unicamente com nossos próprios meios, encontramos o fustigar dos ventos das dificuldades atrozes, que vergastam a alma e maceram o corpo.
Contudo, se utilizarmos os recursos da oração alcançaremos as possibilidades das asas das gaivotas.
Pelas asas poderosas da prece, o homem pode se elevar acima das tempestades do cotidiano e voar placidamente.
Envolvidos pelas luzes da prece, alcançaremos regiões que o vendaval das paixões inferiores não alcança.
Fortificados pela oração, enfrentaremos o mar agitado dos problemas, a fúria das vicissitudes, e chegaremos ao porto seguro que todos almejamos.
***
Quando o triunfo nos alcançar ou quando sofrermos aparentes quedas, busquemos Jesus e falemos sem palavras ao Seu coração de Mestre e Amigo.
Condutor vigilante de nossas almas, Ele assumirá o leme da frágil embarcação das nossas vidas, permitindo-nos singrar o mar agitado das nossas dores, com coragem e segurança.
Lembremo-nos sempre que a nossa conduta ideal será sempre orar antes de agir, a fim de evitar que procedamos de forma imprevidente, o que nos conduziria ao desespero e a maior soma de dores.

 


Fontes de consulta: Textos diversos do site:

www.momento.com.br

Foto: Sérgio Avelhaneda

 

 

 



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