NÓS E OS NOSSOS MORTOS QUE VIVEM

Palestra apresentada por Sérgio Avelhaneda na noite de 2.11.2007
no Centro Espírita Raymundo Mariano Dias em Birigui/SP

A comemoração dos mortos, hoje denominada Dia de Finados, tem origem na antiga Gália, hoje a moderna França, no território europeu.

É comum no dia de hoje a intensa visitação aos túmulos. E se observam cenas interessantes. Existem os que se sentam sobre os túmulos dos seus amados, e ali passam o dia.

Para lhes fazer companhia. Como se, em verdade, eles ali estivessem presos ou morando.

Outros lhes levam comidas e bebidas. Para que se alimentem. Como se o Espírito disso precisasse.

Outros ainda gastam verdadeiras fortunas em flores raras e enfeites vistosos. Decoram o túmulo como se ali fosse ser a morada do seu afeto.

Tais procedimentos podem condicionar o Espírito, que se não for de categoria lúcida, consciente, se não for um espírito evoluído, essas idéias pode mante-lo ligado aos restos mortais do velho corpo, ou ao seu túmulo.

Como cristãos, aprendemos com Jesus que a morte não existe. Assim, nossos mortos não estão mortos, nem dormem.

Cumprem tarefas e suas mãos se transformam em ferramentas auxiliadoras aos que permanecem aqui ainda na terra.

Prosseguem no seu auto-aprimoramento, construindo e reformulando o mundo íntimo, na disciplina das emoções.

E continuam a nos amar.

A mudança de estado vibratório não lhes tira os sentimentos doces, cultivados na etapa terrena.

São pais e mães queridas, arrebatados pelo inesperado da desencarnação. Filhos, irmãos, esposos - seres amados.

O que vemos é que o vazio da saudade alugou as dependências de nosso coração e a angústia transferiu residência para as vizinhanças de nossa alma.

É hora de nos curvarmos à majestade da Lei Divina e orarmos. A prece é perfume de flor que se eleva e se transforma em encontros de abraços e beijos, diminuindo a saudade e fortalecendo o amor.

Para os nossos afetos que partiram para o Mundo Espiritual, a melhor conduta é a lembrança das suas virtudes, dos seus atos bons, dos momentos de alegria juntos vividos.

Isso reforça a vontade deles de continuarem se aprimorando na pratica do bem.

A prece que lhes refresca e fortalece a alma e lhes fala dos nossos sentimentos.

Não há necessidade de se ter dinheiro para honrar com fervor cristão os nossos mortos. Nem absoluta necessidade de nossas presenças ao lado das suas tumbas. Eles não estão lá.

Os espíritos libertos vivem no Mundo Espiritual tanto quanto estão ao nosso lado, muitas vezes, nos dizendo da sua igual saudade e de seu amor.


Se desejarmos realmente honrar ou homenagear os nossos mortos, transformemos o dinheiro que gastaríamos em flores exuberantes e na ornamentação dos túmulos em pães e peças de vestuário para crianças e gestantes pobres.

Deveríamos ofertar essas dádivas úteis aos pobres em nome dos nossos amados.

Simplesmente fazer o bem em nome deles.


E agindo assim certamente estaremos nos transformando em trabalhadores da última hora.

Penso que todos de se lembram, pelo menos um pouco, dessa história de Jesus


Em suas pregações, Jesus utilizou largamente o recurso das parábolas.

Foi contando histórias que ministrou ensinamentos morais a um povo rude, ainda incapaz de assimilar as grandes verdades da vida, em toda a sua pureza.

Debaixo do véu da alegoria, jazem rutilantes ensinamentos.

Cada qual extrai das parábolas a lição compatível com seu estado evolutivo.

Mas a essência, que consiste na necessidade de uma vida honesta e fraterna, é acessível a todos.

À medida que a criatura cresce em compreensão, ela percebe novos desdobramentos de uma mesma passagem evangélica.

Utilizando uma expressão do Cristo, passa a ter olhos de ver.

É muito conhecida a Parábola dos trabalhadores da última hora.

Nela, Jesus fala de um proprietário de vinha que assalariou trabalhadores em diversos momentos do dia.

Ao final, a todos pagou igualmente, o mesmo pagamento para diferente horas de trabalho.

Assim, quem trabalhou apenas uma hora ganhou o mesmo de quem iniciou a tarefa ao alvorecer.

Proporcionalmente, a remuneração dos últimos contratados foi muito superior à dos primeiros.

Por se tratar de um ensinamento alegórico, dele podem ser extraídas variadas lições.

Um dos enfoques possíveis é comparar os trabalhadores com todos os envolvidos na reforma moral da Humanidade.

Ao longo dos séculos, eles se sucederam.

Foram profetas, legisladores, administradores, juristas e pensadores os mais diversos.

A diferença na remuneração pode ser referida ao resultado obtido com a tarefa.

No princípio, as criaturas eram muito rudes e bastante refratárias aos ensinamentos.

Com o passar dos séculos, foram se tornando mais receptivas e maleáveis.

Hoje, as leis civis implementadas por Moisés parecem bastante severas.

Por exemplo, a regra do olho por olho soa intolerante aos ouvidos do homem moderno.

Mas para a época foi uma grande e importante inovação.

Até então, vigorava a vingança desmedida.

Perante um mal feito, não raro se eliminava não apenas o ofensor, mas toda a sua família.

A proporcionalidade da represália representou um avanço moral.

Como o povo ainda não conseguia perdoar, ao menos se tinha um limite para o revide.

E assim gradualmente a Humanidade evoluiu.

Incontáveis pessoas dedicaram suas vidas a esse mister.

Coisas que hoje parecem naturais são fruto de grandes lutas e renúncias.

Direitos trabalhistas, igualdade entre homens e mulheres e proibição de penas cruéis são alguns exemplos.

Pode-se dizer que os reformistas dos primeiros tempos trabalharam na base do edifício.

Hoje já se atua na cumeeira, na medida em que a Humanidade está pronta para vivenciar a fraternidade.

Notícias sobre atos cruéis e desonestos chocam, pois no íntimo a maioria da população deseja outras vivências.

Em suma, chegou a vez dos trabalhadores da última hora.

É preciso se tomar do ideal de viver em um mundo melhor e agir para que ele se implante na Terra.

Urge que os homens de bem mostrem a força de seu caráter e ocupem espaços.

É necessário que as crianças sejam educadas para amar o trabalho e a honestidade e viver fraternalmente.

Mas, mais do que apenas belos discursos, são necessários exemplos.

A generosa recompensa desse esforço será possuir a alegria de viver, e mais tarde renascer, em um mundo mais justo e mais fraterno.

Precisamos pensar nisso!

Muito Obrigado, que Jesus possa nos abençoar a todos.

Bibliografia: Palestra montada com base em textos publicados no site: www.momento.com.br

Fontes de consulta: Textos diversos do site:

www.momento.com.br

Foto: Edna Feitosa

 

 



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