Palestra
apresentada por Sérgio Avelhaneda no Centro Espírita
“Dr. Raymundo Mariano Dias” de Birigui, na noite de 2 de maio
de 2008.
Está
chegando mais um Dia das Mães e aproveito para destacar que são
elas, as mães, que dentre tantas outras virtudes, elas se destacam
por saberem praticar o mais sublime ensinamento do Cristo: O Perdão.
São
elas que, no meio de tantas outras pessoas, se destacam por saberem praticar
a compreensão, a indulgência, a tolerância e a paciência,
virtudes que levam as pessoas a esquecerem as ofensas.
Oh!
O perdão! Esse nobre sentimento vivido por quem já aprendeu
a praticar o amor incondicional.
Pensando
nisso e querendo exemplificar o que estou dizendo, vou comentar uma noticia
publicada em vários jornais, no dia 6 de janeiro de 2004, quando
falaram sobre um fato que chocou todos os habitantes da pequena república
de Palau, na Micronésia.
Já
ouviram falar sobre a Micronésia? Talvez não!
Micronésia
é uma palavra que vem do grego e significa pequena ilha, mas também
é o nome duma região do Oceano Pacífico ocidental
localizada entre as Filipinas a oeste, a Indonésia a sudoeste,
a Nova Guiné e a Melanésia a sul e a Polinésia a
sueste e leste.
É
um lugar do nosso mundo formado por centenas de pequenas ilhas agrupadas
em vários arquipélagos e divididas por sete territórios.
Pois
foi nesse lugar, bem distante de nós, que se passou um fato que
foi comentado em jornais e que serve de ilustração para
essa minha palestra de hoje.
Foi
ali que um casal e seu filho, foram assassinados dentro de sua própria
casa, por um homem de nome Justin, que buscava apenas alguns bens de consumo
para roubar.
O
funeral de Ruimar de Paiva e sua família foram acompanhados por
cerca de quatrocentas pessoas na cidade de Koror, entre elas o Presidente
da República, profundamente abalado.
Um
evento, porém, marcou para sempre a vida daqueles habitantes.
Presentes
estavam a mãe de Ruimar de Paiva e, também, a mãe
do assassino.
Dona
Ruth de Paiva, a mãe do assassinado, profundamente emocionada,
ao fazer um pronunciamento aos presentes, pede a presença da mãe
de Justin, o assassino, ao seu lado.
As
pessoas ficam em silêncio, quase sem respirar, imaginando o que
poderia acontecer naquele momento.
Dona
Ruth, trêmula, pega nas mãos da outra mãe, levanta-as
em direção aos presentes, e afirma:
Aqui
estão duas mães... Estou certa de que a mãe de Justin
orou muitas vezes por seu filho, e estou certa de que seu coração
está terrivelmente ferido.
A
Senhora de Paiva contém as lágrimas, e termina dizendo:
Eu
apenas desejo dizer à mãe de Justin que estarei orando por
ela... E por Justin.
Segundo
declaração do Presidente da República de Palau, que
assistiu à cerimônia fúnebre, a habilidade da Sra.
Paiva em perdoar, permitia à nação começar
um processo de cura.
Disse
ainda que perdoar, quando o incidente é tão recente, ajudou
muitas pessoas a olharem além da tragédia, e verem que podemos
nos perdoar e viver juntos.
Seriamos
nós capazes de perdoar, passando por uma situação
dessas?
É
natural que a resposta da maioria de nós ainda seja negativa. O
perdão ainda se faz difícil no coração das
almas da Terra.
Mas
exemplos como este, que felizmente já são muitos neste Mundo,
vêm nos dizer que é possível, que somos capazes de
perdoar.
O que você faria se, de repente, por uma circunstância qualquer,
você tivesse nas suas mãos a possibilidade de decidir a respeito
do destino de uma pessoa que muito lhe prejudicou?
Alguém que estendeu o manto da calúnia e destruiu o seu
bom nome perante os amigos? Alguém que usurpou, com métodos
desonestos, a sua empresa, fruto de seu labor de tantos anos?
Alguém que tenha ferido brutalmente a um membro da sua família?
Será que você lembraria da lição do perdão,
ensinada por Jesus? Será que viria à sua mente a voz do
Mestre Galileu dizendo: “bem-aventurados os misericordiosos, porque
alcançarão misericórdia?”.
Recordaria a exortação a respeito de nos reconciliarmos
ainda hoje com nosso adversário?
A propósito, lembro-me agora de uma história bem antiga.
Conta-se que um escravo tornou-se de grande valor para o seu senhor, por
causa da sua honradez e bom comportamento.
Desta forma, seu senhor o elevou a uma posição de importância,
na qualidade de administrador de suas fazendas.
Numa ocasião, o senhor desejou comprar mais vinte escravos e mandou
que o novo administrador os escolhesse. Disse, contudo, que queria os
mais fortes e os que trabalhassem melhor.
O escravo foi ao mercado e começou a sua busca. Em certo momento,
fixou a vista num velho escravo. Apontando-o para o seu senhor, disse-lhe
que aquele devia ser um dos escolhidos.
O fazendeiro ficou surpreendido com a escolha e não queria concordar.
O negociante de escravos acabou por dizer que se o fazendeiro comprasse
vinte homens, ele daria o velho de graça.
Feita a compra, os escravos foram levados para as fazendas do seu novo
senhor.
O escravo administrador passou a tratar o velho com maior cuidado e atenção
do que tratava qualquer um dos outros.
Levou-o para sua casa. Dava-lhe da sua comida. Quando tinha frio, levava-o
para o sol. Quando tinha calor, colocava-o debaixo das árvores
de cacau, à sombra.
Admirado com as atenções que o seu antigo escravo dispensava
ao velho escravo, seu senhor lhe perguntou por que fazia isso.
Decerto deveria ter algum motivo especial: é teu parente, talvez
teu pai?
A resposta foi negativa.
É então teu irmão mais velho?
Também não, respondeu o escravo.
Então é teu tio ou outro parente.
Não tenho parentesco algum com ele. Nem mesmo é meu amigo.
Então, perguntou o fazendeiro, por que motivo tens tanto interesse
por ele?
Ele é meu inimigo, senhor. Foi esse homem, que hoje está
velhinho que vendeu-me um dia a um negociante e foi assim que me tornei
escravo.
Mas eu aprendi nos ensinamentos de Jesus que devemos perdoar os nossos
inimigos. Esta é a minha oportunidade de exercitar meu aprendizado.
***
Pois é, minha gente, realmente quem aprende e pratica os ensinamentos
de Jesus realiza atitudes como essa!
O nobre Carpinteiro de Nazaré era e ainda continua sendo um extraordinário
escultor de almas.
Ele viveu numa época plena de preconceitos e discriminações,
mas Ele sempre fazia as coisas de um modo diferente: Ele acolhia a todos.
Seu jeito de agir contagiava e mudava as pessoas que eram tocadas pelo
seu meigo coração.
Ele agia como um escultor que transforma a pedra bruta numa obra de arte.
Para a mulher adúltera Ele fez um convite para que se erguesse,
recompusesse sua vida, mas não tornasse a errar.
Jesus freqüentava a casa de amigos, conhecidos e até de desconhecidos,
e com eles fazia as refeições. Enquanto Se alimentava, oferecia
o pão da vida, o conhecimento, aos que partilhavam a refeição.
Conhecedor das limitações humanas amou incondicionalmente
os seres humanos. Ofertou o perdão como dádiva generosa
para que a criatura tivesse a chance de recomeçar, de tentar outra
vez e outra mais.
Refinado na arte de pensar, ensinava tesouros de sabedoria com poucas
palavras.
“Os mansos herdarão a Terra”, lecionou. Diferente do
poder do Mundo, Ele prometia os territórios do Seu Reino para os
que utilizassem a mansidão.
Estimulando os homens a pensar, convidou a que observassem os pássaros
do céu e as flores dos campos. Nas entrelinhas, Ele ensinava que
o homem deve aprender a olhar para a natureza e desfrutar da sua beleza.
As pessoas deveriam erguer os olhos ao Céu e não somente
ficar olhando fixamente as coisas da Terra.
Profundo conhecedor da alma humana, trabalhava a emoção
nas criaturas.
Tomou a juventude do Apóstolo João, arrebatado, e lhe esculpiu
a emoção. Ele se tornou o poeta do amor.
Tomou a experiência do Apóstolo Pedro e o convidou a ser
pescador de almas.
Ouvindo a disputa entre os discípulos, discorreu sobre quem seria
o maior, no Reino dos Céus.
Jesus tomou da lâmina do Seu exemplo, para entalhar naquelas almas
o exato cumprimento do dever. Por isso Se fez pequeno, ao ponto de somente
admitir estar acima das pessoas quando foi cravado na cruz.
Ouvia perguntas absurdas e pacientemente trabalhava nos becos da alma
dos que O buscavam.
Tomou de uma semente de mostarda para falar do vigor da fé. Serviu-Se
de imagens da natureza para deixar as grandes lições da
sabedoria.
Tudo para ensinar que nas pequenas coisas se escondem os mais belos tesouros.
Jesus foi e ainda continua sendo o maior Escultor de almas!
Ele trabalhou pacientemente as pessoas consideradas escórias da
sociedade. A todos ensinou e continua nos ensinando a arte de amar.
Trabalhou com pessoas difíceis para mostrar que vale a pena investir
no ser humano.
Finalmente, ensinou com Seu exemplo que a felicidade não está
nos aplausos da multidão ou no exercício do poder.
A Sua conduta expressou que a felicidade se encontra nas avenidas da emoção
e nas vielas do Espírito.
Aprendamos com o Mestre da Vida a termos uma vida social e emocional rica.
Voltemos a fazer coisas simples. Andar descalço na areia, cuidar
de plantas, criar animais.
Fazer novos amigos, conversar com vizinhos, cumprimentar as pessoas com
um sorriso.
Ler bons livros, meditar sobre a vida, escrever poesias.
Rolar no tapete com as crianças, fazer do nosso ambiente de trabalho
um oásis de prazer e descontração.
O perdão acalma e abençoa aquele que se torna um seu doador.
Maior é a felicidade de quem expressa o perdão. O perdoado
é alguém em processo de recuperação. No entanto,
aquele que lhe dispensa o esquecimento do mal, já alcançou
as alturas do bem e da solidariedade.
Quando se entender que perdoar é conquistar enobrecimento, o homem
se fará forte pelas concessões de amor e compreensão
que for capaz de distribuir.
A busca de uma vida mais feliz nos leva pelo caminho do perdão,
sem dúvida alguma. Sem esquecer as mágoas, sem abandonar
a vingança, não encontraremos dias melhores, tal qual sonhamos.
Ninguém
consegue alçar vôos, carregando o peso do ressentimento no
Espírito.
Perdoar
é nos libertar da angústia, do medo, do ódio.
Quem
perdoa compreende a justiça de Deus, que tudo vê e que nos
faz sempre os únicos responsáveis por nossos atos.
Quem
perdoa encontra uma nova forma de amar, a da compaixão, que vê
o agente do mal como alguém que sofre, e precisa de ajuda.
Perdoar
aos inimigos é pedir perdão para si próprio;
Perdoar
aos amigos é dar-lhes uma prova de amizade; perdoar as ofensas
é mostrar-se melhor do que era.
Se
nos tornarmos duros, exigentes, inflexíveis, se usarmos de rigor
até por uma ofensa leve, como é que vamos querer que Deus
esqueça que cada dia mais temos a necessidade indulgência?
Trabalhemos
pelo perdão. Aprendamos como perdoar, dia após dia, experiência
após experiência e aí sim, realmente estaremos a caminho
da Luz.
Bibliografia: O
Evangelho segundo o espiritismo, de Allan Kardec no cap. X, ed. Feb.
Texto de autoria desconhecida, intitulado O escravo.
Trigo
de Deus, cap. 18, do Espírito Amélia Rodrigues, psicografia
de Divaldo Franco.
O mestre do amor, de Augusto Cury, ed. Academia de Inteligência.
E diversos textos publicados no site: www.momento.com.br