Que o meu silêncio não te doa
que o meu rosto não se apague
que meus poemas sejam sua lembrança
e seus poemas a minha saudade.
E só. Não alimente mais esperança.

Que esta casa no mar
tenha sempre a flauta que tu, Neruda,
tocavas para Matilde, nas brincadeiras de amar.
Que as azaléas, rosas, lírios, armetícias
cresçam com o meu cheiro e da brisa do mar.

Seja feliz meu amor, sinceramente desejo,
virei vem em quando colher conchas e beber
estrelas, nadar ao luar... receber teu beijo,
mar perdão, agora tenho que te deixar...

Sou um pássaro de vôo alto
e asas longas. Apesar de ti,
a liberdade, há tempos, já está aqui a
me chamar... pra me levar... a me chamar

Obs.: deixei a chave e uma foto minha no ventre do
dragão chinês verde e dourado da porta de entrada...


Simone Soares






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