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Maria
Maria,
quando foi que te seduziram?
foi quando a noite jogou o seu manto,
saí doida de amor e de pranto
e no caminho me perdi.
Encontrei o poeta
que só é poeta
porque pensa que é.
Tem um verso catalogado
em que recita nosso passado
sempre que me vê.
O bêbedo, coitado,
ama e enrola,
enrola e embola,
quer num instante
um amor distante
que nunca lhe dei.
E ama, embola,
ama, enrola,
quer a Maria,
quer a Sofia
quer a mãe.
O empresário abastado
precisa esquecer o passado.
Aqui não fica bem: amanhã telefono,te encontro.
O herói exilado
até mudou de nome
porque passou fome.
Hoje é um quarto ou um terço,
dividido em pedaços de gente
me separa para me aceitar.
Me perdi na tempestade a noite escura,
e a primavera dentro de mim
fez sua orgia.
Maria, Maria, você está em agonia
não sinta.
Maria, Maria, seus olhos são holofotes
não veja.
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