Simone Soares






Já não és meu.
Enquanto o sono me carrega
Mãos de gaivotas famintas
procuram a cama de mares antes navegados,
e perdem o rumo do seu destino.

Pés e mãos fazem parte
de um estranho ritual de marionetes loucos,
gestos desconexos,
acostumados à geografia do teu espaço.

Já não sou tua, e o que me importa?
Apenas o corpo perde o costume muito devagar.
És apenas um vulto que se dissolve
cada dia mais na neblina do passado.









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