ACALANTO

Quando no leito cansado
Sono ou sonho não achar
Esquece, meu bem, as mágoas
Deixa o amor te acalentar

Se a saudade adivinhada
Começa a se avizinhar
Perto, meu bem, me imagina
Não a deixe te abraçar

Se uma tristeza danada
Malquiser te judiar
Relembra, meu bem, meu riso
Que logo ela vai passar

Se uma dúvida calada
Parece te amargurar
Meus versos, meu bem, sinceros
São fáceis de acreditar

Se a solidão malvada
Vai crescendo a te ameaçar
Lembra, meu bem, que te adoro,
Sozinho não vais ficar

Se a carência insaciada
A cada noite aumentar
Sonha, meu bem, com carinhos
Indo te confortar

Se a distância indesejada
Leva sempre a fantasiar
(Re)sonha, meu bem, ardentes
Os beijos de me encontrar

Se esta ausência forçada
Periga em nos afastar
Revê, meu bem, meus poemas
Para a esperança voltar

Mesmo assim, meu menino
Se teu sono não chegar
Saiba, meu bem, que te velo
Pois não durmo por te amar.

Edna Feitosa

 


 

 

 

 

 


 



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