
Uma
homenagem ao meu Poeta preferido
(Theca Angel)
ADORMECIDA
Castro Alves
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E, de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos - beijá-la.
Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijá-la... a flor fugia...
Castro Alves
(1847 - 1871)

MOÇA
Theca Angel
A moça... adormecida ainda sonhava...
Lindos sonhos... sua mente povoavam
enquanto estrelas... sobre ela refletiam
brilhos de prata que sua fronde enfeitava!
Ela dormia... na rede que a embalava
e o céu a aconchegava em seu regaço...
Um seio aparecendo...entre as rendas
Atormentava a pobre Lua ... enciumada!
Todas as flores ofuscadas se curvavam
ante a beleza de donzela tão radiante
O pobre vento adejando em seu ventre...
ébrio de amor entre as flores oscilava.
Se um olhar à sua beleza...sucumbia
essa imagem um grande espelho...refletia
e ao espelho que a mostrava... tão
bonita
num sono plácido...a moça lhe
sorria!

