

Sol
que queima a minha
face e todos os meus
desatinos,
tocando
múltiplas cordas
que mil musicistas
me afinam,
soando
murmúrios eu
prossigo entoando
meus violinos,
vestida
de harpa em tais magias
que incontidas dançam.
Flutuam
nos ares o som de
punhais dos teus desassossegos,
Dó
maior em Lá,
Ré-tira esse
fel que ataca meus
encantos,
desce
o tom em quebrantos
de velas no corpo
do desapego,
cessação
de hostilidade, oração
maior na luz em que
danço.
Nessa dança
divina que em mim
rebrilha e em Si se
levanta,
arco
em pele que fere as
cordas, evoluindo
repique em sinos,
retesa
a letra e o arquilho
que em Mi, marca-passo
e avança,
entoei
meu cântico
de liberdade quando
afrontei meu destino.
De sentimentos eu
sou feita, mesmo quando
tua ira me alcança,
então
nesse meu chão
finco os meus pés
e demarco o meu canto,
casei-me
com a minha sina e
faço comigo
excelência em
aliança,
guerreira
vestida de tons fiz
da arribação
a seca de todo pranto.



Luz que me transpassa
deixando expectativas
expostas .
Nas melodias soam
notas densas como
sutis sustenidos...
E os músicos
da orquestra iniciam
a dança de
nossos sentidos
Viajo para outra esfera
ao som vibrante de
seus violinos!
Depuram todos os sentimentos
com sua garra e poderio
cordas sonantes ,
harpa a percorrer
rápida os fios
Melodia regida com
a intensidade vívida
do maestro
Ergue-se a batuta
na evolução
por todos os sentidos.
Sons que se alternam
, instrumentos que
se alinham
Andantes cruzam os
ares na intensidade
pela partitura requerida
Enquanto a alma da
sinfonia está
nas mãos de
cada artista
No impetuoso dedilhar
vivace de cada escala
percorrida!
Adentram os pensamentos,
percorrem células
dos corpos
Incitam levando à
embriagues em claves
mais aceleradas
Não pode conter
timidez as mãos
que frenéticas
se agitam
A perfeição
se eleva toma cada
instrumento e o faz
único!
A visão se
turva e a platéia
sse excita ante a
técnica exibida
Hipnotizada acompanha
as pausas ou as vitais
acelerações
E num improviso momento
indefinido, inesperado
compasso
Cessam-se os rumores
, elétrico
impera o som dos corações!
Um novo e pungente
deslizar sonoro ,
visão triunfal
se faz
Agora cada movimento
se torna mais e mais
audaz...
Não estou mais
ali presente, só
meu corpo toma assento
As sensações
levaram-me a alma
para etéreos
recitais!
Resto só sem
dar-me conta que os
sons cessaram
Ainda viajo em ondas
sonoras intensas,
magníficas
Meus olhos até
então atados
à visão
dos violinos
Lentamente do êxtase
se desligam e à
terra retornam!



