Vultos

zeluiz - aprendiz de poeta

 

Não tente fugir dos vultos que te perseguem
são partes da sua história amadurecidos pelo tempo
resquícios das atitudes não tomadas que te seguem
sobras de tempestades transformadas em vento

Medidas mal calculadas que inclinam a balança
aumentando o peso da consciência te causando agonia
passos desencontrados no grande salão de danças
imensos sorrisos roubados onde se perderam as alegrias

São vultos de todos os tamanhos, são vultos de muitas cores
presenças insistentes em teus sonhos e pesadelos
espinhos de todas espécies, perfume de várias flores
reentrâncias e saliências, ausência do teu desvelo

Feche os olhos para o terror e confronte teus vultos
conserte teus erros, lapide tua alma e tenha coragem
levante o astral encarando o medo insepulto
humildemente peça licença, quem sabe lhes dêem passagem

Santos/ 09 abril 2006



PESADELOS

 

Theca Angel

 

Fantasmas que povoam minha mente
Sombras de um passado ainda latente
diafanos véus a envolver os corpos
Arrepios a percorrer-me o ventre...

Lembranças que marcam cada passo!
Imagens que afloram à retina
Músicas que recordo ter ouvido
Momentos que sinto já ter vivido...

Rostos na multidão esquecidos
Perseguindo-me em pesadelos revividos
Sensações que chegam ressentidas
Retratos que são heranças abandonadas!

Por que então as imagens se fazem fixas
em ruas e estradas desconhecidas...
Serão somente flashs de memória,
ou restos de emoções envelhecidas?

Labaredas a consumir o lenho
Histórias, crenças, hoje tão definidas
Destino que traçado volta à tona
na fé que era sagrada e me abandona!

Sandálias gastas em pedras que lasceram
o pó da estrada entranhado na garganta
ir adiante como que conhecendo o destino
sem nunca ter ido mas recordando ter voltado!

E neste torvelinho em que vivo
mesclam-se sentimentos que não entendo
Alternam-se a vontade e o imenso medo
e querendo a verdade, sinto que minto!


São Paulo/ 10 abril 2006

 

 

 



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